Sally esteve aqui. Eu também.
— Por favor, posso usar um mesmo cartão para três pessoas?
— “CLARO QUE SIM”, gritou a atendente do metrô. Bem-vindos a Nova York, pensei.
— “Peço desculpas, mas é que moro em Boston e lá é preciso ter um cartão para cada pessoa,” respondi enquanto ela me olhava com um ar de indiferença.
— “E pra que lado fica a entrada para a Green Line?”, perguntei humildemente, ao ser imediatamente surpreendido com outro grito: — “GREEN LINE?”, como quem diz, o que é isso?
Ensaiei repetir a “história de Boston”, mas terminei a conversa com um: — “Never mind. Thank you.” E seguimos em busca de como chegar ao nosso Airbnb na East 103.
Seriam apenas três dias, com neve, diga-se de passagem. Portanto, deixamos as malas no apartamento e já saímos em direção ao Central Park. A caminho do Neue Galerie, que a Julia queria visitar, passamos pelo Guggenheim e tivemos um momento déjà vu.
Não, meu caro, não será dessa vez ainda.

Depois da exposição, tive a tola ideia de sugerir o High Line. Havia lido sobre o projeto recentemente e estava curioso. Na prática, o que vimos foi mesmo uma plataforma cheia de neve. O que eu esperava nessa época do ano? Flores?

Além dos pontos turísticos tradicionais, há sempre algo para olhar ou fazer a cada esquina dessa cidade. Portanto, foram dias intensos entre o planejado e as surpresas. Mas faltava ainda algo na minha lista para aquela viagem: o orgasmo.
Calma, posso explicar. When Harry Met Sally é possivelmente a melhor comédia romântica de todos os tempos. Ao menos na opinião das pessoas da minha geração. E dentre as inúmeras cenas engraçadíssimas, está o famoso orgasmo falso de Meg Ryan no Katz’s Restaurant.

O restaurante estava lotado e a mesa da Sally, obviamente, ocupada. Mas algo que me surpreendeu foi a qualidade da comida. Confesso que estava preparado para gastar muito dinheiro só para conhecer um local que apareceu em um dos filmes da minha adolescência, mas longe disso. Adorei a comida e o preço me pareceu bastante justo.

Na saída, é claro, eu precisava ao menos registrar o momento. Fiquei perto da placa como quem diz: — Também estive aqui, Sally.
Já havia estado em Nova York outras vezes, desde meu momento de encanto com a cidade em 1993, mas dessa vez a sensação foi diferente. Acho que jamais deixarei de ter um carinho especial por este lugar tão peculiar e cosmopolita ao mesmo tempo, mas a fantasia definitivamente desapareceu — em mim, é claro.
Eu é que mudei. Não tenho a menor intenção de morar em um local como este, como era o sentimento naquela época. Isso foi algo que ficou muito claro em mim desde a calorosa recepção na estação de metrô. Visitar? Sempre que possível. Mas por apenas alguns dias, como fizemos dessa vez.
Findos os poucos dias, era hora de partir. Mas havia ainda um último “algo diferente”. Em lugar de voar, dessa vez optamos pelo trem. Alé breve, Nova York.
New-York
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