Há algo de especial em reler uma coleção inteira.
Mal terminei de publicar o vídeo — praticamente dizendo que seria uma loucura reler toda a coleção do Sabino —, olhei para trás, vi na estante os seis livros que ainda me restam dele, apanhei o Gato sou eu e li o primeiro conto.

Poucos dias depois, mesmo colecionando meus pensamentos no Obsidian em tempo real, já estava quase na metade. Até pedi para minha mãe procurar e comprar nos sebos do Brasil todos os livros que encontrar dele. Sei que alguns ainda estão à venda nas livrarias, até mesmo aqui em Portugal, mas quero ler no original, antes da revisão ortográfica. Além disso, gosto muito mais das capas antigas.
Já nos primeiros contos, notei algumas coisas especiais nessa aventura. De imediato, reler criou uma confusão no cérebro. Como as histórias são narradas no presente e, em muitos casos, em primeira pessoa, a sensação que fica é que ele ainda está vivo narrando tudo aquilo para mim. E, ao mesmo tempo, à medida que vou lendo, vou relembrando as histórias. Mas quando isso acontece, eu é que viajo mentalmente para o passado. Que loucura!
Não sei se é uma experiência normal porque essa foi a única vez que interagi pessoalmente — trocando cartas, no caso — com um autor que eu estava lendo devorando naquele momento. Ou seja, quando li pela primeira vez, havia ainda uma pessoa escrevendo “em tempo real”. Não sei se estou me fazendo entender, mas só isso já tem sido uma experiência única.
A outra curiosidade é que, já conhecendo a obra toda, à medida que vou progredindo no Gato sou eu, começo a traçar paralelos com datas e outros livros. Por exemplo, este livro foi publicado em 1983 e há histórias de Nova York que são da época da coletânea A cidade vazia de 1950, um dos livros dele de que mais gosto, diga-se de passagem.
Por fim, há isso de estar construindo um “Mapa do Sabino” no meu Obsidian. Sempre tive vontade de compartilhar o progresso da construção de uma estrutura de organização em tempo real e acho que essa será uma excelente oportunidade para fazer isso.