Descobri o livro A Editora do Passarinho acidentalmente, quando procurava por versões eletrônicas dos livros de Sabino. Ao ver que se tratava de um trabalho relacionado à Editora Sabiá, não tive dúvidas, cliquei imediatamente no comprar e devorei o livro em pouquíssimos dias.

Como Sabino mencionou a editora algumas vezes em seus inúmeros livros, eu já sabia da sua existência e de alguns detalhes. Inclusive, foi assim que descobri e li autores publicados por eles. Um que me veio à mente instantaneamente foi o livro Um Dia no Rio, de Oswaldo França Júnior.

Enfim, sempre quis saber mais a respeito da Sabiá e, com essa leitura, descobri diversas coisas. Por exemplo, a quantidade de livros publicados pela editora é muito maior do que eu imaginava. Fiquei impressionado com a lista e tantos outros detalhes. Mas, ao mesmo tempo, ficou um gostinho de quero mais.

Sei que o foco do livro de Rafael F. Carvalho não era esse, mas minha maior curiosidade sempre foi a respeito do dia a dia das atividades da empresa e o relacionamento entre os editores e os autores. Ele até fala um pouco sobre esses temas, mas queria mais. Muito mais! Estou inclusive pensando em entrar em contato com ele. Os acervos mencionados me levam a crer que provavelmente ele tem materiais e informações adicionais que não foram usados no livro.

E falando no assunto, fiquei também com muita vontade de conhecer o Acervo de Escritores Mineiros da Universidade Federal de Minas Gerais, que inspirou o livro. Estou um pouco longe de lá, mas quem sabe um dia.

“A visita, então, chegou ao acervo de Fernando Sabino. Tive contato com livros, objetos particulares, cartas, bilhetes, entre outros itens.”

A leitura também reforçou algo que eu sempre me questionei. Apesar de sua importantíssima contribuição para a cultura brasileira, não só com livros, mas com iniciativas como a Sabiá, quase não há material a respeito da vida e, principalmente, dos feitos de Sabino. Portanto, A Editora do Passarinho é um livro muito bem-vindo! Obrigado, Rafael!

Um ponto que a leitura reforçou em mim foi a amizade e relação tão próxima de um grande número de autores brasileiros daquela época. Isso é algo que fica muito claro nas cartas publicadas por Sabino, mas foi bom voltar a ler sobre essas histórias.

Quando eu lia Sabino na minha adolescência, ficava sempre imaginando se um dia eu faria parte de um grupo tão próximo de pessoas envolvidas com algo em comum. É um tipo de conexão e colaboração sincera que parece não existir mais nos dias de hoje. Uma pena.

Acredito que meus anos de Evernote foram os mais parecidos com isso. Além das pessoas que trabalhavam na empresa, me aproximei de outros autores, consultores etc. Os tempos de Palm também foram um pouco assim. Mas nada parecido com o que leio a respeito daquele fascinante grupo de escritores.

E, finalmente, há um último detalhe indiretamente relacionado. Assim que acabei o livro, testei o novo sistema de organização da minha biblioteca no Obsidian e, conforme eu já havia previsto, foi extremamente simples guardar as marcações. E agora, escrevendo este texto, me ocorreu outra ideia. Embutir o post na nota do livro.