Centenas de clientes atendidos e continuo acreditando que foco no controle da equipe não é uma boa ideia.

Chefes sempre têm chefes. E mesmo pessoas como eu — trabalhando por conta própria — têm chefes também. Em realidade, vários. No limite, todos os meus clientes são, na prática, meus chefes.

Alguns de vocês já conhecem minha história, mas para os que estão chegando por agora, o resumo do resumo é que me tornei um consultor por conta de tudo de errado que eu via nas empresas onde trabalhei.

Na maior parte das vezes, havia muitos detalhes sendo esquecidos, trabalho sendo refeito e assim por diante. Foi por essas e outras que fui em busca de soluções que eu tentava sempre aplicar quando eu liderava a equipe ou sugerir, quando o chefe era alguém aberto a novas ideias.

Pessoas não são máquinas

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Tudo isso para dizer que entendo perfeitamente a tendência que certos gestores têm de focar em métricas. Porém, seja respondendo para alguém, liderando equipes, ou sendo consultor, nunca vi o foco no controle criar equipes de verdade. E estamos falando de uma amostra com centenas de clientes durante algumas décadas.

Controle gera insegurança na equipe e, consequentemente, a motivação vai embora rapidamente. A alternativa que prego é estimular a equipe a ser uma equipe de verdade.

O primeiro passo, em minha opinião, é a transparência. E aqui não falo de informações sigilosas. Falo de processos. Todos têm que participar da construção e entender como o sistema funciona. Quem está na ponta, normalmente, conhece muito melhor a situação e os problemas. O que significa que, além de participarem efetivamente da criação do sistema na plataforma escolhida, ou seja, o fluxo de trabalho, eles têm que ter liberdade para ajustar as coisas no futuro.

É dando poder à equipe que se cria uma equipe coesa e motivada. É por isso, que, antes mesmo de começar o trabalho de mentoria, insisto que a equipe tem que participar de algumas sessões. No mínimo uma!

Mais do que saber, eles têm que sentir que aquilo é para eles e que eles têm voz e podem alterar o sistema no futuro. É claro que mudanças não podem ocorrer à revelia ou a todo momento. Aprofundarei este tópico em um outro texto.

Para já, o que precisa ser entendido é que um fluxo não é só para os gestores, mas também não é só para a equipe. A necessidade de todos tem que ser contemplada.

Um quadro Kanban bem feito mostra o fluxo em andamento e não há necessidade de focar no controle de horas de trabalho e outras métricas porque o fluxo é a base para gerar essas informações automaticamente. Se o fluxo estiver pensado para todos, gestores e a equipe têm como acompanhar um mesmo processo e dados, mas a partir de diferentes ângulos.

Aplicativos como o Trello e tantos outros conseguem gerar métricas automaticamente, ou seja, sem a necessidade de implantação de controles. Mas repito, sem um bom fluxo construído para todos, não há métricas geradas espontaneamente. O que nos leva de volta à tendência de criar controles.

Curso Workflow-C Aproximadamente duas horas de aulas abordando todo o conteúdo que ensino nas minhas mentorias para empresas há mais de 10 anos.

O que é um bom fluxo?

Para criar um bom fluxo, é preciso, antes de tudo, entender e compreender as necessidades de todos, partindo de quem está na ponta até os gestores. É um desafio — muitas vezes imenso —, mas é possível criar algo que atenda a todos. Basta que existam múltiplas visualizações da mesma informação. Fazemos isso invertendo a forma de construção. Descobrir o que “eu preciso saber” é o primeiro passo. É por isso que sempre começo perguntando o que cada um precisa ver no fluxo.

Nunca, nunca começo pela implantação de uma “tecnologia milagrosa”. Algo assim simplesmente não existe. O que vemos constantemente sendo anunciado como a ferramenta perfeita, é puro marketing. Tecnologia bem empregada funciona como ferramenta, jamais como solução. O papel da tecnologia vem em um segundo momento, com o objetivo de reduzir os atritos no fluxo. Em outras palavras, fazer o trabalho mais fluido sem transformar as pessoas em máquinas.

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Mencionei ao menos uma sessão com a equipe nos parágrafos acima. Mas isso é muito pouco. Nas empresas onde vejo mais sucesso nas mentorias, começamos com sessões para todos, para que eu possa entender as necessidades coletivas e depois partimos para trabalhos em grupos menores. Ou seja, diretores, gestores, equipes, etc.

Mudar o paradigma para o foco na equipe é um processo que demanda algum tempo até que haja compreensão e maturação da nova realidade. E é algo que vale para os dois lados: gestores e equipe. Não há milagres. Nunca!

Mas, em nenhum momento, estimulo o uso de sistemas exclusivamente focados no controle de métricas. Repito, pessoas não são máquinas. Quando gestores tratam pessoas como pessoas, a tendência é nascer uma equipe dedicada e coesa. E os dados e estatísticas vêm como consequência.