Redes não comerciais ou redes descentralizadas?
Mais abaixo explico por que prefiro o termo “redes descentralizadas”, em lugar de “não comerciais”, mas adorei a riqueza de detalhes nas explicações do texto “Redes sociais não comerciais”. Se você tem interesse no assunto, recomendo a leitura. Há sempre o que aprender e definitivamente aprendi algumas coisas novas no artigo, que, diga-se de passagem, li algumas vezes.
Quando me coloco na posição de explicar essas redes para alguém que nunca ouviu falar no assunto, noto como é difícil descrever algo diferente do que estamos habituados. E, uma vez que essas redes são relativamente novas, é ainda mais difícil compreender sua separação e, em alguns casos, interconexão com outras redes, considerando o universo de todas as redes sociais.
Digo isso porque há instâncias de empresas comerciais como o Threads e, de certa forma, o próprio Bluesky. O Threads é parte de um conglomerado que adota posturas que prefiro nem comentar para não me irritar. O Bluesky, por outro lado, já recebeu algumas rodadas de investimentos. E investidores são investidores. Mais ora, menos ora, vão querer o dinheiro de volta multiplicado. Porém, ambas são apenas partes das respectivas redes: Fediverse e ATmosphere. Enfim, acho que é por isso que prefiro o termo “redes descentralizadas” em lugar de “redes não comerciais”.
Descentralização é, aliás, algo que tem tido um impacto muito grande na minha forma de repensar o mundo em que vivemos. Por exemplo, algo que tenho experimentado diariamente e há um bom tempo, são as redes LoRa.
Mas nada disso desvalida o fantástico trabalho feito no texto. Foi só algo que fui pensando à medida que lia.
Minha formação é em Ciências Econômicas e penso que é por isso que sempre levo em conta a força do mercado devorando tudo que vê pela frente. O que aconteceria, por exemplo, se YouTube ou Instagram adotassem o ActivityPub ou o AT proto?
Certamente, muitas das atuais instâncias bloqueariam essas redes. Além disso, o volume de usuários traria uma força imensa para o Google e Meta, que poderiam terminar se sentindo no direito de modificar a forma como os protocolos funcionam.
De certa forma, isso já acontece hoje. O Gmail, por exemplo, tem seu próprio filtro de spam e outros recursos, que terminam por bloquear emails legítimos de provedores menores ou os que são mantidos por conta própria. Isso sem mencionar formatação de texto e outros elementos. Ou seja, o protocolo usado para envio e recebimento de mensagens é o mesmo, mas o aplicativo Gmail é tão dominante que sua força vai além do protocolo.
Já a adoção do ActivityPub pelo Threads, além de extremamente morosa, é apenas parcial. Funciona de forma muito estranha, para usar uma palavra leve. Quando olho para aquilo, a única coisa que vem à minha mente é que estão tentando se resguardar de uma futura atuação de órgãos reguladores.
Enfim, fugi completamente do assunto. Vá ler o texto.