Jorge, um Brasileiro — outro livro fascinante de um autor fascinante!
Há muitos e muitos anos, quando li Um Dia no Rio de Oswaldo França Júnior, me deparei com algo que eu nunca havia visto antes. Aquele era um livro sem capítulos. A história começa e termina sem nenhum tipo de pausa.
É, definitivamente, uma leitura completamente diferente do habitual e até poucos dias, eu acreditava que o livro era uma experiência única e que havia sido escrito dessa forma por conta da história. O que pensei na época foi que a escrita sem nenhum tipo de interrupção tinha como objetivo criar a ilusão de que o leitor estava vivendo um dia inteiro em tempo real com a história.
Até então, aquele tinha sido o único livro dele que eu havia lido, mas esses dias terminei o Jorge, um brasileiro e, para minha surpresa, o formato é exatamente o mesmo.
A história vai do começo ao fim de uma só vez. Não há divisões de capítulos nem retenção do fluxo da narrativa. Sem parar, o narrador começa a falar (a impressão do leitor se fixa mais no estar ouvindo do que no estar lendo) e, falando, chega, quase no mesmo fôlego, ao término do que tinha a dizer. O narrador fala para cada um, chama esse cada um de “você”, interrompe um caso e, como acontece nos relatos orais, parece ter perdido o fio da meada (e o leitor-ouvinte pensa que ele não mais conseguirá reatar a corrente da estória), mas volta ao caso anterior, às vezes, sem haver terminado o que se intercalara (e o leitor-ouvinte torna a achar que, desta vez, o caso do meio é que ficará sem fim) —Antônio Olinto
Resolvi dar uma espiada no A Volta para Marilda e, para minha surpresa — ou não — lá estava um outro livro sem capítulos.
Que formato fascinante!
Estou encantadíssimo e, ao mesmo tempo, feliz e triste por não ter seguindo lendo outros livros dele na minha adolescência. Feliz porque agora tenho muitos para ler. E triste porque teria sido uma aventura incrível descobrir isso naquela época em que eu vivia mergulhado em livros que estavam por toda parte a minha volta.