Não é raro eu ver tristas usando mapas de papel no centro do Porto. É algo que vem acompanhando de alguma nostalgia — era assim quando comecei a viajar — e, ao mesmo tempo, traz um conforto interior de que há ainda quem opte por se desconectar do telefone e curtir o momento — se perdendo para se encontrar. Se é que você me entende.

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E falando em nostalgia e tecnologia, hoje havia uma funcionária nova no café sofrendo um pouco com o sistema do caixa. Lembrei de quando trabalhei na Varig, numa outra vida, décadas atrás. Os computadores eram terminais com tela de fósforo verde — eu disse que foi em outra vida! — e tínhamos que decorar uma série de comandos que escrevíamos para realizar o longo e complicado check-in dos clientes.

Por exemplo, para escolher um assento, havia um comando que digitávamos e após o Enter uma lista era carregada na tela, mostrando os que estavam disponíveis. E havia complicações dentro do já complicado. O comando para escolher locais fumantes e não fumantes era outro, que eu nunca lembrava. Eram tantos os comandos que era mais fácil memorizar a fila onde começavam os assentos fumantes.

Aliás, nunca entendi isso de fumantes e não fumantes dentro de um tubo a trinta mil pés de altura. No final, claro, todos estavam sempre fumando, querendo ou não.

Enfim, depois de ver a lista, era preciso usar outro comando para escolher o assento desejado. E ai do passageiro pensar muito. Se um colega ao lado tivesse escolhido o mesmo acento antes de você, era preciso recomeçar o processo.

Expliquei tudo isso para a funcionária que ajudava a novata, e ela começou a descrever o que aparecia na tela do computador delas. Rimos quase que juntos. No final era a mesa coisa que eu usava décadas atrás. Basicamente uma série de conjuntos e sub-conjuntos. Por exemplo, é preciso primeiro escolher “café” e depois o tipo de café. Ou seja, trocamos comandos em texto por ícones.

Tenho certeza de que preferiria ícones nos meus tempos de Varig. Facilitaria muito as coisas. Mas para próxima viagem, acho que vou experimentar mapas de papel. Afinal, dificultar um pouco, às vezes faz bem a saúde mental. Se é que você me entende.