Você sabe o que a independência de um país, a falência de uma corporação gigantesca, descobertas importantíssimas a respeito da transmissão da Febre Amarela e da Malária, o maior lago artificial do mundo (da época) e a incrível façanha de escalar uma montanha dentro de um navio têm em comum?

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Tudo isso e mais um pouco está ligado à construção do Canal do Panamá. Muitos não sabem, mas o país, que na verdade era uma província da Colômbia, sequer existia antes da mega-obra. Apoio à guerra de independência foi uma das primeiras ações estadunidenses ao decidirem retomar a obra abandonada por Ferdinand de Lesseps, o diplomata francês que iniciou o projeto depois do sucesso da construção do Canal de Suez.

Uma floresta densa, a longa temporada anual de chuvas e a Malária e Febre Amarela foram os piores inimigos de Ferdinand e quase levaram o projeto à ruína mais uma vez quando sob administração dos Estados Unidos. Só depois que Carlos Finlay e Walter Reed descobriram que a transmissão da doença se dava via mosquito e foram tomadas ações para eliminar o vetor, é que foi possível progredir sem a enorme quantidade de mortes diárias.

Porém, o maior de todos os desafios continuava sendo a montanha na costa atlântica, que precisava ser cortada utilizando a precária tecnologia da época. Como estamos falando do final dos anos 1800s e início dos 1900s, eles evidentemente não conseguiram! Por outro lado, a solução alternativa foi tão genial que funciona até hoje, tendo sido adotada também no recente projeto de expansão do Canal.

Um gigantesco lago artificial no meio do caminho e um conjunto de “elevadores” nas duas costas do país permitem que embarcações enormes “escalem” parte da montanha. Como o lago está 26 metros acima do nível do mar, o trabalho de escavar uma passagem pelo vale foi muito menor.

Dá pra acreditar nisso? Não é incrível? São esses detalhes de cada parte desse planta tão diverso que me fazem querer conhecer cada recanto do mundo.

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Em 2012 já havia conversado a respeito do Canal com o amigo e velejador Maurício Rosa, mas estar lá e literalmente tocar a parede de uma das eclusas, é de tirar o fôlego. Navios de carga têm prioridade, por isso nosso “pequeno” barco turístico seguiu os passos do Valdivia, o que acabou por criar uma perspectiva foi muito interessante. Junto conosco estava também um catamarã — ainda menor — deixando muito claro a dimensão das eclusas.