VCP.51 - Cansei de tentar convencer os outros. Mergulhei no meu mundo.
Lembra que no episódio 47 eu estava bastante empolgado com os rádios Lora, Redmesh Tastic, Redmesh Core?
Pois bem, outro dia eu estava contando aquela mesma história para algumas pessoas, estava com o rádio na mão, mostrando ali o aplicativo funcionando, que eu estava tentando comunicação, explicando tudo o que eu estava tentando fazer com aquele rádio.
E perguntei se eles sabiam o que era uma rede mesh, expliquei o que era uma rede mesh, como as coisas se comunicavam.
E aí o interessante é que mesmo sem eu ter comentado aquelas coisas que eu comentei no episódio, eles vieram com exatamente as mesmas perguntas que eu fiz a mim mesmo depois que eu comecei a experimentar esses rádios.
Uma das perguntas foi, então basta que tenha muita gente usando isso por perto para que você consiga falar um com o outro?
Eu disse, é exatamente isso, a rede não depende de absolutamente nada, basta um perto do outro e você vai se comunicar.
E a outra pergunta foi muito curiosa, porque foi exatamente a primeira coisa que eu pensei.
E perguntaram, mas por que eu não posso fazer isso com o meu telefone, já que todo mundo tem um telefone?
E como eu disse naquele episódio, não é só telefone que todo mundo tem, nós temos vários rádios, várias coisas à nossa volta, assistentes, casas inteligentes, roteadores, Wi-Fi, tudo com rede à nossa volta.
E eu achei super interessante essas duas perguntas, porque elas são mesmo um choque de realidade e eu fiquei pensando sobre isso na hora, e imediatamente me ocorreu algo.
Eu perguntei, você andaria com um rádio desse no bolso?
Teria o trabalho de recarregar mais um dispositivo?
Ter ele pareado via Bluetooth com o seu telefone?
Ou mesmo andaria com outro aparelho que tivesse um teclado que fosse compatível com a rede Lora?
Você se daria o trabalho de fazer isso e lembrar disso?
Não.
As pessoas todas disseram que não.
E aí eu pensei em algo que tem me incomodado há algum tempo, que é isso da conveniência.
O mundo controlador, o mundo que nós vivemos dentro desse mundo de grandes corporações e dessas coisas todas, ele é conveniente demais, é muito simples, funciona, é muito prático.
E outro dia eu estava ouvindo uma conversa exatamente sobre isso, sobre como tentam até hoje destruir o e-mail.
E eu nunca tinha pensado em por que tentam acabar com o e-mail.
Quantas vezes você leu um artigo dizendo é o fim do e-mail, o e-mail está morto, ninguém mais manda e-mail, ninguém mais lê e-mail, ninguém mais vê e-mail.
Quantas vezes?
Toda hora tem um artigo desse, um vídeo sobre isso no YouTube.
E eu fiquei pensando no que essa pessoa falou, isso faz muito sentido.
O e-mail é um protocolo aberto, como vários protocolos que surgiram no início da internet.
Você não pertence a nenhuma corporação.
Eu só consigo mandar um e-mail da Microsoft para o Yahoo, para o Gmail, para a Apple, para onde quer que seja, para qualquer endereço de e-mail, porque existe um protocolo que é respeitado e obedecido e a mensagem sai de um lugar e chega do outro.
Não existe um grande centralizador, controlador de e-mail cuidando para que as mensagens cheguem no outro lugar.
Não é um protocolo.
Não existe um centralizador das suas mensagens, como existe no WhatsApp, que todas as mensagens têm que ir para uma central e voltar para a pessoa.
Não é como telefonia, que eu mencionei no episódio Lore, que todas as mensagens têm que ir para uma central e procurar outra pessoa.
O e-mail é mais ou menos como as redes Lore.
Ele tem um protocolo e ele sai de um lugar e vai para o outro.
O que a pessoa dizia, e eu fiquei pensando, isso faz muito sentido, era corporações, por exemplo, quando você cria um programa como o Slack, quando você cria um programa como o WhatsApp, essas coisas todas, muitos nem nasceram por isso, mas hoje, quando essas coisas existem, o que essas pessoas, essas empresas estão tentando fazer?
Elas estão tentando te tirar da conexão com o e-mail, que é algo onde não há controle.
Você é livre para receber e enviar e-mails para quem você quiser, quando você quiser, da forma como você quiser, sem depender de nenhuma corporação por trás disso.
É claro que você tem que ter o seu e-mail, mas você pode, na prática, ter o seu próprio servidor de e-mail.
Nada te impede de fazer isso.
E se você tiver o seu próprio servidor de WhatsApp, que não existe, você não pode mandar mensagens para outra pessoa.
No caso do e-mail, você poderia fazer isso, você poderia ter sua própria estrutura, algumas pessoas têm, e mandar e-mail da sua própria infraestrutura para outras pessoas, porque é um protocolo aberto.
Então, quando essas empresas controlam todas essas centralizações, elas, na verdade, estão controlando a nossa liberdade, elas estão querendo que você saia, deixe um protocolo, que é o protocolo de e-mail, e passe para um protocolo fechado, fique sob controle delas, para que elas poderem te monetizar, controlar, vigiar e coisas desse tipo.
É uma loucura, eu fiquei pensando, realmente faz todo sentido e está totalmente ligado com essa história dos rádios.
A conveniência de você ter um Slack, a conveniência de você usar um WhatsApp, muda a forma…
Ah, todo mundo usa, eu vou usar também.
Não é mesmo?
E isso juntou com uma outra história que aconteceu esses dias.
Uma pessoa que eu conheço me mandou um e-mail do meu casamento, com as fotos do meu casamento.
Deixa eu te dar um pouco de contexto.
O meu casamento foi uma coisa muito simples.
Eu fui num salão de festas, que nem era no meu prédio, não tinha salão de festas.
Uma amiga emprestou o salão de festas.
Nós tivemos um casamento, juíza foi lá, fez o casamento, depois nós jantamos e acabou o casamento.
Foi isso, simples, adorei, fantástico.
Porém, naquela época, não era uma época em que as pessoas tinham telefones celulares e eu pedi para alguns amigos levarem câmeras.
Todos que tinham câmeras digitais, eu pedi, até isso era um pouco raro, pedi para as pessoas levarem câmeras digitais e para todo mundo tirar fotos e depois me mandar essas fotos por e-mail para eu ter a recordação do casamento.
Foi assim o meu álbum de fotos, é assim o meu álbum de fotos.
Às vezes eu estou olhando para um lado, a foto está desse lado.
É esse o álbum de fotos do meu casamento, que veio de amigos, o que eu achei, na época eu já tinha gostado, mas o que eu achei mais interessante na ocasião foram os pontos de vista.
Isso que eu falei, às vezes você está olhando para um lado e a foto está do outro lado.
Então, às vezes uma mesma pessoa é fotografada várias vezes, de vários ângulos.
Então, é como se eu pudesse rodar dentro do salão de festas e ver.
Não está tão organizado, é um pouco bagunçado e naquela época nem se preocupava muito com essa coisa de horários, então está com as datas erradas, as fotos não ficam em ordem cronológica.
Eu fui tentando arrumar ao longo dos anos, mas dá para ver tudo isso.
É uma história muito interessante.
Mas voltando ao assunto, esses dias essa amiga minha mandou todas as fotos do casamento e ela encaminhou um e-mail que ela tinha mandado, dizendo, eu acho que esse e-mail voltou e eu estou te mandando de novo.
Isso já faz muitos e muitos e muitos anos e ela tinha o e-mail, não só tinha, mas como ela encaminhou o e-mail, veio com a data do envio do primeiro e-mail.
O que ela tinha escrito naquela ocasião é muito bonito, porque é como se fosse uma carta digital.
Você fica com aquilo guardado e mesmo se ela não tivesse, talvez eu tivesse, se eu tivesse recebido.
Enfim, ela mandou, eu fiquei pensando sobre isso e me conectou exatamente à memória.
Nós viajamos no dia seguinte do casamento e o que eu lembrei, quando ela mandou esse e-mail, eu lembrei do momento em que eu vi esse e-mail.
E sabe como é que eu vi esse e-mail?
Naquela época também não era fácil ter computadores portáteis e coisas desse tipo, telefone não existia, telefone…
Eu até tinha um meio smartphone, mas acho que ele não tinha nem Wi-Fi, ele dependia de rede de dados e eu não ia usar a rede de dados em viagem.
Nós fomos a um cybercafé, naquela época chamava-se cybercafé, acho que hoje nem existe mais isso, de você ter computadores num café, mas acho que se existisse iam chamar de café.
São tantas coisas interessantes que existiam naquela época e é uma loucura eu falar naquela época como se fosse uma coisa moderna, internet já acontecendo e eu falando naquela época.
Mas enfim, nós fomos a um cybercafé, colocamos lá nossa senha e abrimos o e-mail para ver as fotos e foi assim que eu vi, foi assim que entre aspas, as fotos do meu casamento foram reveladas, é como se tivesse mandado revelar as fotos e uns dois dias depois eu fui ao cybercafé, estavam lá revelados e foi assim que nós vimos as fotos e ficamos sentados lá nesse cybercafé olhando essas fotos que tinham mandado para a gente.
Foi maravilhoso e essa mensagem que ela mandou encaminhando o e-mail que ela estava achando que não tinha dado certo, por alguma razão, não sei, deve ter tido um clique lá quando ela estava olhando as mensagens de e-mail dela, me ativou todas essas memórias do passado e eu respondi para ela, falei