VCP.49 - Vamos conversar? Como terminamos prisioneiros de tantas Redes Sociais?
Me deu vontade de gravar um episódio daquele tipo em que eu tenho só uma ideia.
Essa ideia me ocorreu ontem e eu vou falando sem me preparar.
E é isso que vai acontecer hoje.
Vamos ver se vai ser um episódio digno de publicação.
O gatilho para essa ideia veio do Carl Reader.
Eu venho falando bastante sobre o Carl Reader.
Fiz o jailbreak do Kindle, instalei o Carl Reader e isso me fez começar a ler mais.
Especialmente alguns livros antigos que eu tinha, comecei a ler novamente para experimentar o Carl Reader e comecei a ler livros inteiros no Carl Reader.
Mas não é esse o assunto do episódio de hoje.
Especificamente não é esse.
Porém, eu pretendo no futuro próximo.
Tenho feito aqui uma pauta de verdade, anotações de verdade.
Eu pretendo falar mais sobre a minha experiência que tem sido muito interessante.
Prós e contras.
E falar um pouco mais sobre isso.
Não é o caso hoje.
O caso hoje é que ele, o Carl Reader, fez essa…
Que foi esse gatilho para o episódio.
Eu pensei sobre algo que é…
Quando eu era muito novo, eu lembrei disso porque eu ando lendo muito.
Eu lembrei que eu ficava lendo em vez de estudar para a prova.
Lendo em vez de estudar e fazer o dever de casa.
Isso no segundo grau.
Acho que nem chamam mais segundo grau hoje em dia.
Mas que loucura.
Pelo menos eu estava lendo, não estava fazendo outras coisas.
Mas eu lembro de devorar livros inteiros em um único dia.
Ou então em dois dias.
Dia não, porque de manhã eu estudava e à tarde eu devia estar estudando sozinho, fazendo dever ou estando para prova e estava lendo livros.
Então eu lembro de devorar esses livros ou às vezes ficar sem sono à noite e continuar lendo e ler, ler, ler.
Eu tinha uma quantidade absurda de livros em volta de mim.
Quase me engolindo todos os livros que ficavam no meu quarto.
E aí eu pensei…
Poxa, se antigamente eu fazia isso, por que em algum momento eu parei de fazer isso?
E por que em algum momento todos nós começamos com essa obsessão por redes sociais que é uma coisa extremamente fútil?
A maior parte do conteúdo é fútil.
No meu caso, aconteceu um degrau, uma coisa entre as duas coisas, que foi…
Eu lia muita literatura, muita literatura mesmo.
Quando eu fui para a faculdade, eu comecei a ler livros mais técnicos e comecei a achar aquilo interessante.
E são livros mais difíceis de ler, porque você tem que prestar atenção.
Não só técnicos, mas livros mais…
Explicando coisas.
Então são livros que têm uma dificuldade maior na leitura e são mais lentos.
Não dá para você simplesmente ler como você leu uma história.
Até dá, mas talvez você não vá entender.
Então eu demorava mais para ler esses livros e comecei a ler muito menos.
Mas menos livros, não ler menos.
Eu continuei sempre lendo muito, porém intervalos…
E esses livros cansam um pouco a cabeça.
Você tem que parar, pensar, pesquisar alguma coisa.
Então é uma leitura um pouco mais pesada, um pouco mais densa, por mais simples que seja o tópico.
Enquanto que um romance, uma história, um conto, você simplesmente lê, se diverte.
E se não prestar atenção também no começo, meio e fim, não vai fazer tanta diferença na história, a não ser que seja um personagem.
Às vezes eu me perco também, fico viajando e me perco.
É como agora viajei no podcast.
Mas então teve esse intervalo que eu acho que me fez ler menos livros e que funcionou como uma forma de me deixar, entre aspas, desprotegido e acabar sendo atraído pelas redes.
Na verdade, no começo, minha atração pelas redes foi um pouco…
Olhando em retrospectiva, foi um pouco de ilusão.
Porque eu tinha um blog, eu gostava muito do blog.
Eu escrevia muito no blog e era difícil atingir pessoas.
Eu lembro que naquela época o podcast alimentava o blog que alimentava o podcast.
Era algo meio…
Uma coisa ajudava a outra e as pessoas descobriam o podcast na época por conta da Apple, do podcast.
Quando a Apple introduziu no iTunes o podcast, foi uma das formas de descobrir.
E queira ou não, mesmo antes daquele ping, acho que chamava ping a rede social da Apple, mesmo antes daquilo, queira ou não, era uma espécie de uma rede social, uma espécie de algoritmo que ajudava as pessoas a saberem que existiam aqueles podcasts.
E eu lembro que você queria estar ali entre os 10 primeiros para aparecer ou pedir para alguém comentar o seu podcast ou aparecer no podcast de alguém.
Então, de uma certa forma, existia ali um princípio de algoritmo que fazia com que as pessoas fossem para o podcast.
Acho que o que protegeu o podcast enquanto instituição, entre aspas, aqui foi o fato de que é possível ter um podcast com feed e você produzindo tudo.
Como é o caso desse podcast.
Apesar dele estar no Spotify, no YouTube, em vários lugares, eu tenho o controle da fonte original, está no meu blog a fonte original e eu distribuo ela para outros lugares.
Com exceção do vídeo no YouTube que só dá para colocar no YouTube, mas o áudio é distribuído por mim.
Então, acho que isso é algo que foi mantido no podcast e eu acho isso importante porque é uma forma de controle do original, do material original.
Mas fugi completamente do…
completamente não, mais ou menos aqui do tópico.
E aí do blog, porque tinha essa espécie de algoritmo no podcast, eu acho que eu fui atraído e eu lembro que na época pelo Facebook, foi a primeira rede que eu percebi, bem no comecinho do Facebook, quase ninguém estava lá e eu percebi, poxa, isso aqui é interessante, é meio que como o que o podcast faz, eu posso colocar coisas aqui, as pessoas vão ler, comentar, já tem a caixa de comentário, que era uma das coisas muito difíceis na época também, ter uma caixa de comentário, foi tudo muito no começo, quando eu comecei a blogar, então você tinha que cuidar da caixa de comentários, ter os comentários e aquilo do Facebook era muito…
existia o Orkut, né?
Eu nunca fui muito…
eu tinha uma conta no Orkut, mas nunca fui, achava muito…
sei lá, muito fofoca, o que virou depois o Facebook.
Eu ia lá, eu olhava, mas não era…
nunca me atraiu aquilo, não era uma coisa que eu usava com frequência.
Eu usava, sabe o quê?
Com muita frequência o Flickr, que eu considero também que era uma espécie de rede social, tinham ali as fotos, você comentava as fotos dos outros, os outros comentavam e tinha aquela interação entre as pessoas.
E aí, talvez o Flickr, Kindle, Kindle não, não sei de onde eu falei isso, de onde eu tirei isso, Flickr e iTunes fizeram com que eu percebesse ali no Facebook uma forma de divulgar o trabalho, de compartilhar o trabalho.
E eu comecei a usar aquilo muito e eu acho que isso me fez abandonar o blog.
Então, um pouco da minha transição veio daí e eu não sei como é que foi a transição das outras pessoas, algumas pessoas já nasceram num ambiente onde existia redes sociais, mas a partir desse momento é como se você fosse fisgado, né?
Você caiu numa armadilha e já era, é muito difícil sair daquela armadilha.
E à medida que o tempo foi passando, que eu fui me envolvendo cada vez mais com essa armadilha, eu lembro que um clique que eu tive foi quando eu estava divulgando o conteúdo, eu ainda tinha podcast na época, já tinha, vinha tentando divulgar isso no Facebook, paguei por anúncios na página do Facebook, mas um clique que eu tive foi quando eu comecei a perceber essa comparação dos vídeos que eu assistia no YouTube, que é um dos primeiros episódios que eu mantive aqui no podcast, depois dê uma olhada, depois ouça o podcast, o episódio onde eu falo que eu vou testar o YouTube, migrar para o YouTube, foi quando eu parei de usar o Facebook para compartilhar o meu conteúdo e logo depois, algum tempo depois, eu parei de usar como pessoa, consultar e seguir pessoas no Facebook.
E eu acho que isso foi bom, mas eu não deixei de usar outras redes, por exemplo, eu era viciado no Twitter, sei lá, eu nunca fui, eu gostava do Instagram antes da aquisição do Facebook porque eu gostava da coisa de compartilhar as fotos quadradas, trabalhar na foto, olhar a foto, escolher o ângulo, meio que em coisa de fotógrafo, que eu não sou, mas meio que aquele estilo de escolher o local certo e tal, tirar a foto e compartilhar aquela foto e depois virou essa loucura que é hoje, então acho que é por isso que eu gosto muito de compartilhar as fotos no meu blog, porque é mais ou menos o que eu fazia antes, então eu ainda compartilho, tem uma parte lá do blog que são as fotos, então essa coisa da rede te fisgar e de você ficar preso naquilo, te fecha os olhos para as outras coisas do mundo.
Não foi exatamente o que fechou meus olhos para a leitura, porque foi um processo como eu expliquei, mas fechou meus olhos para várias outras coisas.
E apesar de nunca ter sido viciado em Instagram, eu era viciado no Twitter e assim por diante, outras redes, outras coisas, eu considero o YouTube uma rede social e eu uso bastante o YouTube, então de certa forma existe aí um vício, existe uma conexão com o YouTube.
Eu tenho vários artifícios que eu uso no YouTube para não cair em determinadas armadil