Prisioneiro de mim mesmo.
Eu anotei aqui algumas coisas para lembrar de falar no episódio de hoje e o corretor ortográfico está aqui sugerindo que eu troque a palavra medo por receio.
Mas a palavra medo é mesmo a palavra correta aqui.
Eu estava com medo de reler algo que eu escrevi há mais de 10 anos, algo que é uma ficção e que eu me lembre, eu não voltei a escrever ficção desde então.
Estou falando do conto O Prisioneiro do Livro Vermelho que eu republiquei, ajustei uma série de coisas e publiquei novamente, está no ar novamente, mas eu estava com medo mesmo.
Uma pessoa lá no outro canal disse que queria reler o livro, me pediu, me perguntou como e na verdade eu tirei esse livro do ar como várias coisas, vários outros livros e várias outras coisas que eu estou trazendo de volta para o site, estou trazendo de volta à vida, porque a vida tem muitas coisas, são tantas coisas que nós temos que fazer e a Amazon mencionou na época, não existia isso no começo, mas eles mencionaram depois de um tempo que havia alguns erros de português no livro e que eu precisava corrigir esses erros.
E como eu tinha outras coisas para fazer e esse livro nunca vendeu muito, foi apenas um…
ele saiu mais como um experimento, apenas não é bem a palavra aqui, eu precisava de um experimento e aí eu coloquei esse livro no ar, já falo sobre isso, mas enfim, eu tinha que corrigir, não corrigi, deixei de lado, tirei do ar e foi ficando, ficando, ficando anos e anos e anos, como muitas coisas que nós fazemos na vida.
Então, essa história de trazer coisas de volta para o meu blog, voltando a falar sobre blog, falei muito sobre blog no episódio passado, tem me feito refletir muito sobre essas coisas que eu deixei de fazer, que eu fui abandonando e agora eu estou trazendo de volta, eu estou agora num experimento, uma tangente aqui, tentando descobrir como eu vou trazer as fotos do Flickr para o meu blog.
Tem fotos tão bonitas lá, pelo menos bonitas para mim, memórias para mim, estou tentando descobrir como fazer isso.
Mas enfim, o comentário me estimulou porque a pessoa disse que o livro foi marcante, não sei se foi exatamente essa palavra que ele usou, mas eu fiquei pensando, poxa, se eu toquei uma pessoa sequer, já é fantástico, deixa eu ler esse livro de novo, deixa eu tomar coragem e ler esse livro de novo.
E tinham sim vários erros de português, eu corrigi todos eles, espero que sim, tinham outros erros que não são erros, a língua mudou, tinha a palavra ideia com acento e várias coisas lá que mudaram, eu tive que ajustar também, corrigir para a língua, para o padrão da língua atual.
Mas à medida que eu fui lendo, eu fui lembrando de várias coisas, lembrando de momentos em que eu escrevi, lembrando das coisas, eu não lembrava de quase nada, como pode, fui eu que escrevi o livro, o cérebro humano é muito louco.
Assim, não lembrava se eu parasse para pensar no livro, mas eu, por exemplo, se eu parasse para pensar no livro, eu nunca lembraria como é o final, eu estou chamando de livro porque eu publiquei na Amazon, mas é um conto, menos de 5 mil palavras.
Mas eu não lembrava do final, como é que era o final do livro?
E aí eu comecei a ler, comecei a relembrar de várias coisas, fui vendo várias coisas interessantes que eu coloquei ali, e falei, meu Deus, que mente criativa, eu comecei a ficar admirado comigo mesmo, gostando do meu eu do passado.
Mudei algumas coisas, eu falo no post do livro, na página do livro, que eu mudei cerca de 10%, eu inventei esse número, não é que eu inventei, eu estimei, imaginei esse número, estimei mais ou menos, porque eu não mudei nada do contexto do livro, eu tentei não mudar nenhuma frase, eu mudei a forma como algumas frases estavam escritas, porque eu achei que ficaria melhor o compasso da leitura, mas o teor da frase, o que eu estava dizendo na frase, eu não mudei.
E uma coisa que eu modifiquei mesmo no livro, foi que da forma como eu escrevi originalmente, estava um pouco difícil saber o que o personagem estava pensando, e o que o narrador, quem era o narrador e quem era o personagem.
Então eu fui e coloquei aqueles travessões, e coloquei o personagem pensando, para ficar mais claro isso, mas o que está no pensamento do personagem, o que eu coloquei nos travessões, já existia, eu só reestruturei isso.
Enfim, eu não mudei a estrutura, a estrutura sim, mas eu não mudei o sentido do que eu estava explicando no livro.
Mas enfim, não estou aqui para promover o livro, estou querendo falar sobre esse momento, que eu acho muito importante a gente reviver essas coisas e trazer essas coisas de volta, e ligando mais uma vez com essa história do blog que eu tenho falado tanto, é por conta do blog que eu acabo também me estimulando a fazer essas coisas.
Algo que eu não menciono, eu menciono na introdução do livro, porque eu escolhi fazer um conto, era a história da Amazon, mas eu não digo outras coisas.
Uma delas é que eu precisava experimentar bem a ferramenta Scrivener, que era a ferramenta que eu usava, precisava entender melhor o sistema KDP de publicação da Amazon.
Significa que o Prisioneiro do Livro Vermelho era também um teste, eu precisava entender como as coisas funcionavam.
E aí, olha como as coisas dão volta, né?
Esse teste que eu fiz há mais de 10 anos, agora é um novo teste.
O Scrivener mudou completamente, várias coisas mudaram na Amazon, e eu estou escrevendo meus outros livros recentes no Scrivener, mas o Scrivener funciona de uma forma parecida com um programa.
Quando você escreve o livro, depois você tem que exportar esse livro, mas não é exportar, você tem que compilar.
Você tem que dizer o que eu quero que seja parágrafo, o que eu quero que seja título, o que eu quero que seja página, e coisas desse tipo.
Isso é um pouco trabalhoso, você tem que formatar depois um modelo, e esse modelo vai ser o que o Scrivener vai escolher para exportar o livro.
E eu aproveitei de novo o conto para funcionar como um teste, porque eu estou escrevendo outros livros no momento.
E além dos livros, vou chamar entre aspas aqui de técnicos que eu estou escrevendo, tem um livro de ficção que eu quero escrever.
Acho que eu escrevi uns 3, 4 capítulos.
E é um livro que eu estava assim pensando, não pode ser tão longo, porque a história não é tão longa, mas eu não quero que seja um conto, como aquele outro conto que eu tinha escrito.
E aí, conectando agora tudo isso, o conto ele é simples.
Tem muitos elementos interessantes que eu percebi de onde eu tirei aqueles elementos à medida que eu ia lendo, mas ele é superficial, não é simples a palavra.
A palavra certa talvez seja superficial.
Ele é superficial nesse sentido, eu não vou a fundo em nenhum daqueles elementos que eu menciono no conto.
E talvez seja uma proteção que eu me dei na época, porque apesar de eu ter tido a ideia, eu não sei se eu ia ser capaz de elaborar cada uma daquelas ideias.
Eu falo de neoluministas, eu falo de uma guerra entre o Paquistão e a Índia.
Eu falo de várias coisas que na minha cabeça fazem muito sentido e na época faziam muito sentido.
Eu fui relembrando tudo isso, mas eu não acho que eu seria capaz de elaborar esse tema.
Esses temas.
Então, acho que o conto também me protegeu disso, de não precisar elaborar profundamente cada um desses temas.
Esse outro livro que eu estou escrevendo, não quero falar sobre ele porque eu achei a ideia tão interessante.
Pode não ser, mas eu achei.
Eu tenho compartilhado ele com meu filho e meu filho tem gostado.
Vamos ver.
Mas é um livro que eu estava na dúvida.
Até perguntei pra ele, você é mais jovem, como é que vocês interpretam a leitura?
Esse tamanho de capítulos é um bom tamanho?
E ele disse que sim.
Enfim, eu acho que o novo livro de ficção, que eu não sei quando eu vou publicar, ele é, digamos, o meio do caminho entre O Prisioneiro do Livro Vermelho e algo mais elaborado.
Ele está no meio do caminho.
Enfim, o conto, refazer o conto, reescrever o conto foi super gratificante.
Adorei.
E fui lendo, emocionado, querendo saber como é que o conto ia terminar.
De novo, o cérebro humano é muito louco.
Depois eu lembrei.
Quando eu cheguei no final, eu lembrei como eu tinha pensado.
Mas sabe o que eu mais lembrei?
Eu lembrei como é que aquelas ideias foram chegando pra mim de compor à medida que eu ia escrevendo.
Eu não tinha uma ideia acertada de como seria a história toda.
Eu tinha uma vaga ideia.
E à medida que eu fui escrevendo, aquilo tudo foi se encaixando.
Então ele trouxe esse…
acendeu de novo esse pavio e essa vontade de voltar a fazer uma ficção.
Então foi um momento muito interessante rever esse livro, reescrever esse livro.
Reescrever não é a palavra certa.
Revisar este livro.
Moral da história, eu acho