Uma Cidade Flutuante
2026-09-20 14:09
Antes de mais nada, existe algo que me incomoda há muitos anos. O nome do autor não é Júlio Verne. O nome dele é Jules Verne. De quem foi a ideia de traduzir um nome próprio? Enfim, há algumas semanas, quando fui à feira do livro do Porto, encontrei alguns livros dele que nunca havia lido e resolvi comprar Uma Cidade Flutuante.

Confesso que minha leitura, até então, estava restrita aos mais famosos, dentre eles Da Terra à Lua, Vinte Mil Léguas Submarinas e A Volta ao Mundo em 80 Dias. Ou seja, fui surpreendido por uma história sem os detalhes científicos e futurísticos que o tornaram tão famoso. A leitura não foi o que eu esperava, mas gostei de descobrir este outro lado do autor. Aparentemente, todos nós temos inúmeros interesses na vida e, eventualmente, mudamos nosso foco.
Porém, houve algo inesperado que chamou minha atenção. Como estou relendo A Viagem do Beagle, instantaneamente relacionei os dois autores. Afinal, eles viveram mais ou menos na mesma época. Quando abri o livro e vi na orelha um pequeno resumo da vida do autor, o primeiro pensamento que veio à minha mente foi: será que eles se conheceram?
Até onde eu sei, Jules Verne tinha muito interesse pela ciência. É possível ver essa paixão claramente refletida nos livros que mencionei acima e em vários outros. Mas ele era francês e Darwin, inglês. E estamos falando dos anos 1800, uma época muito diferente do excesso de conectividade que temos hoje em dia.
Comecei a pesquisar o assunto e, considerando as datas da publicação francesa do Origem das Espécies, tecnicamente é possível que Verne tenha lido o livro. Sem mencionar que Darwin causou um impacto enorme na sociedade com esta e outras publicações. Ou seja, seus livros provavelmente eram mencionados pela mídia e nos cafés, ou onde quer que as pessoas se encontrassem na França daquela época.
Com tudo isso em mente, é óbvio que o caminho mais curto era perguntar a algumas IAs se eles se conheceram. Todas disseram que não há evidências, como trocas de correspondência, mas que, com base em algumas passagens dos livros de Verne, é provável que ele tenha lido Darwin.
Fascinante, não acha? Confesso que não conseguia parar de pensar sobre o assunto, e isso acabou virando inspiração literária.
Imaginei uma história fictícia em que ambos se encontravam com frequência: Verne estimulando a curiosidade de Darwin com suas histórias mirabolantes, e Darwin dando palpites e fazendo correções científicas nos manuscritos de Verne. E quem sabe os encontros frequentes de ambos, num país e no outro, terminassem por inspirar Verne a escrever um livro sobre um túnel ligando Paris e Londres.
Não consigo me ver investindo tanto tempo na pesquisa das vidas dos dois para escrever um romance inteiro. Mas um conto... Quem sabe um dia.