Troquei meu telefone por uma câmera e redescobri o mundo. Literalmente!

2026-09-17 16:42

Há alguns dias, inventei um novo jogo para fotografar o mundo ao meu redor usando uma câmera. As regras são simples. O modo automático está banido para exposição, velocidade do obturador e ISO. Também não posso usar o display touch para ajustar nada. Tudo tem que ser regulado usando os botões da câmera, enquanto olho pelo visor para enquadrar a foto.

Post Image

📷 As fotos neste texto são uma pequena amostra do experimento. Espero que se divirta com elas enquanto lê.

A câmera é uma Canon EOS M50 que comprei há alguns anos para gravar meus vídeos no YouTube, mas que raramente é usada para fotografar o mundo a meu redor. E o pior, a maior parte das vezes que ela saiu do meu estúdio, mudei o dial imediatamente para o modo automático. Ou seja, nunca pratiquei fotografar em modo manual com ela.

Post Image

Post Image

O problema que tive recentemente com a câmera do meu Pixel definitivamente serviu de forte inspiração para este jogo. O que eu não imaginava era o quanto eu iria gostar de tudo isso.

Passei alguns dias perguntando para IA quais botões usar para fazer tudo que eu já sabia fazer usando a tela touch. Depois pratiquei por algum tempo em casa e quando já sabia usar todos os controles, saí para testar tudo aquilo no mundo real. Seguindo as regras do jogo, é claro!

Post Image

Post Image

No primeiro dia, foram apenas duas horas, mas totalmente intencionais. Várias fotos ficaram horríveis. Algumas ficaram até boas, mas não tinham nada a ver com o resultado que eu desejava.

Antes de cada clique, era preciso apertar vários botões para mudar diversas configurações, sem tirar o olho do visor. A propósito, usar o visor mantém a câmera encostada na cabeça, criando mais um ponto de apoio, o que ajuda a evitar fotos tremidas. E isso é especialmente importante uma vez que não estou usando o modo automático.

Post Image

Post Image

É impressionante como nossos telefones e outras tecnologias modernas, nos fazem perder uma série de habilidades. Mesmo numa curta sessão de fotos sem compromisso algum, fiquei mentalmente exausto. O lado positivo é que aos poucos foi relaxando e percebendo que aquilo era algo para ser feito com mais lentidão mesmo. Algo para ser prazeroso.

Alguns dias depois, já estou muito mais à vontade com a posição dos botões e esqueci completamente da existência do display touch da câmera. E o mais importante, fotografar deixou de ser registrar qualquer coisa por qualquer motivo e passou a ser algo intencional e mágico.

Post Image

Post Image

À medida que fui ficando mais à vontade com a câmera, comecei a regular os controles para que a foto ficasse mais próxima do real. Para isso, eu alternava entre olhar pelo visor e levantar a cabeça para ver luminosidade e as cores das coisas.

Isso me levou a perceber um detalhe interessantíssimo. As cores do mundo mudam o tempo todo ao longo do dia. Essa experiência me levou a notar a imensa diferença de tonalidades de um momento para o outro.

Post Image

Post Image

É óbvio que não há como uma foto ser 100% fiel à realidade. Minha Canon também é uma câmera digital e mesmo se não fosse, a objetiva, o filme, os químicos usados na revelação, dentre outras variáveis, criariam apenas uma versão do que estamos vendo.

Mas nossos telefones parecem estar criando uma espécie de realidade paralela que segue um mesmo padrão sempre. É como uma versão visualmente aperfeiçoada do mundo. É algo que logo percebi, comparando minhas fotos dos últimos anos com o que venho registrando com a Canon. Todas elas têm cores muito similares, independente do momento e local onde foram fotografadas.

Post Image

Post Image

E junto junto de tudo isso, houve também uma surpresa inesperada. O telefone ficou no meu bolso por muito mais tempo. Em lugar de me distrair com uma tela, passei a perceber uma enorme quantidade de detalhes no mundo ao meu redor. Já falei sobre isso no episódio 42 do podcast, mas vale repetir. O excesso de conveniência trazido pela tecnologia tem nos feito perder uma série de habilidades que nos permitiam perceber as coisas naturalmente, apenas olhando para o que está ao nosso redor.

PS. As duas últimas fotos foram feitas quando eu estava começando a praticar o foco manual.