Papel ou Computador? Qual é melhor? | Ep. 221.

Certa vez li um artigo dizendo que temos algo como 50 mil pensamentos diariamente e que é difícil lembrarmos de 100 deles ao final de cada dia. Não encontrei a fonte para checar os números, mas a proposição me pareceu bastante plausível. Afinal, pensamos muito ao longo do dia e acredito que seja bastante razoável acreditar que esquecemos um boa parte.

Por via das dúvidas, o melhor é anotar todas aquelas ideia que consideramos importantes. É o tal caderninho que devemos manter sempre ao nosso lado na mesa de cabeceira ou no bolso quando saímos de casa.

Caderninho? Será que não pode ser algo mais avançado como o Evernote? O que nos leva a pergunta de sempre: afinal, é melhor anotar no papel ou no computador?

É muito comum lermos nas discussões online que "os estudos dizem que o melhor é anotar em papel". O que raramente vejo são as fontes dos tais estudos. Mas neste caso não quer dizer que sejam falsos. Eles de fato existem e basta uma busca no Google para receber uma avalanche de respostas. Mas te convido a ler comigo um deles ignorando o título e prestando mais atenção no texto e especialmente nas entrelinhas.

Sou um apaixonado por tecnologias modernas e gosto sempre de dizer que elas não são boas ou más. Estas são características humans. Portanto, o computador em sala de aula facilitará tanto o caminho do bem, quanto o do mal.

Por exemplo, com a ajuda do Evernote você pode encontrar aquela anotação que jura que fez e não sabe mais onde está por mais que vasculhe o caderno. Por outro lado, em lugar de ter que esconder uma revistinha dentro do livro de física, basta abrir o Facebook em outra janela. Enfim, é sempre uma decisão humana e me chateia ouvir que o computador é o culpado. No limite, é o mesmo que culpar a faca pelo assassinato. 

O estudo que comento no vídeo foi feito com centenas de alunos da Princeton e UCLA e chegou basicamente as mesmas conclusões que vemos nas brigas das redes sociais: anotar a mão é melhor para o aprendizado.

O detalhe é que eles foram além e tentaram identificar as razões desta constatação. Basicamente é o seguinte: anotar a mão é mais trabalhoso e somos forçados a prestar atenção no que está sendo dito e anotar com relevância. É preciso, de alguma forma, resumir com nossas próprias palavras.

Portanto, é "como" e não "o que" usamos para anotar, que nos ajuda a fixar o aprendizado. No estudo, os alunos que anotaram usando o computador tinham a tendência de transcrever o que estava sendo dito. Ou seja, o mesmo tipo de anotações irrelevantes que muitos de nós fizemos na escola. Lembra da professora dizendo: "Já anotaram? Posso apagar?"

Não é o computador, é a forma de anotar. O que ocorre é que o computador como uma ferramenta mais poderosa que a caneta permite anotar mais rápido e os alunos, segundo o estudo, tendem a transcrever. Mas, pense comigo, isso é culpa do computador ou do aluno? 

No último vídeo falei sobre minha forma de anotar e que adoro o digital porque posso inserir ideias em qualquer parte do texto. Eventualmente sou forçado a anotar em papel e isso efetivamente me atrapalha. Fica tudo bagunçado. Não consigo encontrar os detalhes das anotações porque está tudo ou fora de ordem ou cheio de setas espalhadas por todo o papel. Para que me sirva preciso refazer tudo levando para o computador. E isso, em minha opinião, é perda de tempo. Trabalho ineficiente.

O estudo não é novo e na época foi bastante revelador para mim porque passei por um processo similar sem me dar conta. Sempre menciono ele nas minhas conversas online a respeito do tema, mas acredito que poucos leem o estudo. Por isso, resolvi gravar o vídeo.

Como muitos de nós, quando criança aprendi que anotar em sala de aula significava copiar tudo que o professor escrevia no quadro. Na faculdade, percebi que prestar atenção nos bons professores e anotar com relevância era muito mais eficiente. Só que eu não conseguia anotar tudo que queria com a agilidade necessária. Nunca fui rápido o suficiente. Além disso, tudo ficava muito bagunçado como acontece até hoje.

Anos depois comecei a levar o computador para reuniões e aprimorei a forma consciente de anotar. Até hoje faço isso e é muito eficiente. É raro esquecer de algo. Inclusive em muitas situações lembro dos detalhes como as datas, medidas etc. sem a necessidade de checar as minhas anotações.

Quero concluir com um desafio. Antes de culpar o computador, analise a sua forma de anotar. A tecnologia não é boa nem má e pode ser que o computador te traga algumas vantagens.

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Siga essa dica simples para criar o hábito de anotar e não esquecer de fazer

Tenho uma lembrança muito clara da época da minha infância. Meu pai sempre tinha à mão um bloquinho para anotações. Não era nada sofisticado, a única regra era que coubesse no bolso da frente da camisa junto com uma caneta.

Hoje ele usa um smartphone como muitos de nós, mas o interessante é que isso não era algo que só ele fazia. O primeiro Palm Pilot —bisavô do telefone moderno de hoje— nasceu com esse costume em mente. A história era conhecida por uma legião de apaixonados pelo equipamento.

Dizia a lenda que o fundador da empresa, Jeff Hawkins, ficou andando com um pedaço de madeira no bolso com as dimensões máximas que o futuro equipamento deveria deveria ter. Como ele tinha conhecimento técnico, considerou o volume de todos os componentes que o primeiro Palm Pilot utilizaria para ter certeza de que aquele formato seria tecnicamente possível. O detalhe é que não há nada de ficção nessa história. Ele de fato fez isso e está tudo descrito no maravilhoso livro Piloting Palm.

Outro aspecto muito importante do processo de criação do Palm foi um teste simples que eles faziam usando os primeiros protótipos. Duas pessoas sentavam juntas e simulavam uma ligação telefônica que tinha como objetivo combinar um compromisso. Eles conversavam normalmente fingindo que estavam ao telefone enquanto usavam os aparelhos para verificar a disponibilidade na agenda e marcar o encontro.

A regra para o sucesso era quase elementar, o protótipo tinha que ser eficiente o suficiente para funcionar enquanto os dois conversavam e verificavam o calendário no Palm. Em resumo, precisava ser tão simples quanto abrir a agenda de papel e anotar à mão.

Por essa razão o Palm original tinha alguns botões físicos para navegação e acesso dedicado a anotações, agenda de contatos e compromissos. Você não vê algo assim nos dias de hoje porque o conceito foi desaparecendo dos dispositivos modernos depois do lançamento do iPhone. Mas a ideia permanece em alguns substitutos como os widgets, 3D touch e outros recursos de acesso rápido.

+ Relembrando uma outra era...

Onde quero chegar? A tecnologia útil é aquela que aprimora nossas capacidades naturais. Sabemos andar e correr com as próprias pernas, mas o carro nos leva para os mesmos lugares com mais eficiência. Pense comigo, você jamais usaria um meio de transporte mais lento ou menos eficiente que você, por mais bonito e modero que ele fosse.

Adoro usar aplicativos e equipamentos para aprimorar minha produtividade, mas há duas coisas que precisam acontecer para que esse equação se resolva:

  1. Preciso querer fazer. Parece uma afirmação obvia e é, mas a verdade é que nenhum aplicativo vai realizar o trabalho por mim. Eles existem para aprimorar nossa capacidade. Podemos até automatizar algumas coisas, mas ainda somos nós que comandamos e trabalhamos nesse planeta. 
  2. Preciso entender bem as tecnologias a minha disposição e todas as suas possibilidades para que eu consiga identificar o que de fato funcionará para mim. Por isso, invisto tanto tempo estudando e entendendo aplicativos e métodos. Quero soluções que aprimorem minhas capacidades.

Portanto, se você tem dificuldade para organizar suas tarefas, não procure milagres. Isso não existe! Minha dica é a seguinte. Pegue uma caneta ou lápis e junte com um bloquinho de papel ou uma folha A4 dobrada e coloque no seu bolso. Ande com o conjunto para todo lugar e habitue-se a anotar todo que você precisa fazer. Tudo é tudo. Da mais simples tarefa até uma idéia mirabolante que você está tendo. Não se preocupe com perfeição, apenas anote.

O próximo passo é executar. É importantíssimo sentar e fazer. Se você tem essa ou aquela obrigação é porque uma máquina ainda não consegue fazer isso por você. Portanto, leia o que anotou no papel e comece a trabalhar. Há várias formas de trabalhar com foco e eficiência. A técnica Pomodoro, por exemplo, é uma boa alternativa. Enfim, vá fazendo e riscando tudo que você já concluiu e quando não houver mais espaço na folha ou no bloco consiga outro.

+ Introdução à técnica Pomodoro

Esse exercício é simples, mas é um primeiro passo importantíssimo. Vai te ajudar naturalmente e você começará a encontrar seu caminho. Logo você verá que existem tarefas que podem ser agrupadas em um canto da folha e outras em outra parte. Vá experimentando sem medo de errar. Se algo não funcionar, risque, rabisque, rasgue e tente de outra forma. Perceberá também que existem horários melhores para realizar algumas atividades e assim por diante.

Quando algumas coisas começarem a acontecer repetidas vezes no papel, chegou a hora de pensar em tecnologias mais avançadas. E abra a mente neste momento. Um mapa mental desenhado em uma folha é uma tecnologia surpreendente para um grande número de pessoas. E se como a Liz Kimura você guardar tudo digitalizado em um aplicativo como o Evernote, a tecnologia começará a se tornar útil de verdade porque estará aprimorando uma capacidade sua.

+ Evernote e Mapas Mentais, um belo casamento

No caso dela, a poderosa busca do Evernote é a chave para o sucesso. No seu caso, pode ser uma outra coisa como a linguagem natural do Todoist que entende, por exemplo, anotação de tarefas recorrentes feitas via comandos de voz. Mas só há um jeito de identificar tudo isso: fazendo!

Por isso, pegue seu papel e caneta e comece a anotar e fazer. Acredite, em algum momento você vai encarar situações em que essas duas peças de tecnologia não serão mais suficientes e seu sistema terá que evoluir. Aqui no site há um caminhão de dicas, mas o Google é seu melhor amigo. Pesquise alternativas, conheças os diversos métodos, assistas os meus Hangouts, participe do Grupo do podcast, converse com os amigo e vá encontrando soluções. Lembre-se, a melhor tecnologia é aquela que funciona bem para você!

Lembre-se, não precisamos de aplicativos para tudo!

Entrei, pedi uma mesa para dois, a pessoa na recepção olhou para baixo, identificou os espaços disponíveis, me questionou sobre algumas preferências e fomos encaminhados para sentar.

Demorou literalmente alguns segundos e toda tecnologia utilizada foi um pedaço de papel, caneta e um monte de Post-Its rasgados (vide foto abaixo).

Imagino que algumas pessoas mais empolgadas já devem ter olhado para aquela folha A4 pensando numa tela de iPad com a planta baixa do restaurante e um elaborado sistema de reservas e alocação de mesas.

Confesso que quando os palmtops começaram a se popularizar, ideias como esta eram costumeiramente oferecidas para os restaurantes. Aparentemente nossa mente apaixonada daquele época acreditava que tudo que existia no mundo precisava ser portado para um dispositivo que cabia na palma da mão.

Não me entenda mal, acredito que a tecnologia aumenta e muito a eficiência e traz outros benefícios consigo, mas não podemos cair na armadilha de acreditar que ela, por si só, resolverá tudo. O que importa é a utilidade, a solução de um problema. E, além disso, é preciso lembrar que caneta, papel e Post-It são sim tecnologias.

Enfim, enquanto almoçava, fiquei pensando na simplicidade e funcionalidade do sistema e, ao mesmo tempo, pensando se realmente não seria interessante digitalizar aquilo para coletar dados estatísticos e melhor o atendimento, aumentar a produtividade etc.

Não tenho experiência nenhuma com administração de restaurantes, mas tudo que consegui imaginar podia ser extraído de algo que está em uso em praticamente qualquer estabelecimento: o sistema de pagamento da conta.

Com ele podemos saber qual a média de gasto por mesa em um dado período; quanto tempo as pessoas ficam no restaurante; que pratos são mais consumidos em determinados dias da semana, épocas do ano etc.

Resumindo, não consegui pensar em nada que um iPad na recepção pudesse acrescentar em termos de utilidade ou ganho. Economia de papel? Improvável que se justifique em termos de custo x benefício. No final, só consegui encontrar a seguinte função: trazer beleza e sofisticação.

É claro que preciso considerar que este restaurante é pequeno e por isso as coisas funcionam bem dessa forma. E no final é justamente este o meu ponto. Adote um aplicativo ou a tecnologia mais avançada quando for realmente necessário.

Devemos ter sempre a humildade de reconhecer que um conjunto de ferramentas cotidianas e tão comuns e baratas podem também criar algo poderoso e eficiente sem a necessidade de uma interface multi-touch ou mesmo energia elétrica.