LIVE: COMO VEMOS O FUTURO: Gustavo Faria & Vladimir Campos | 280

Amazon, Apple, Google e Microsoft têm muito mais em comum do que pode parecer. As quatro empresas vem investido tempo e dinheiro na criação de um grupo de serviços, que vão de espaço para armazenamento online até ferramentas para gerenciar atividades pessoais e profissionais.

Com exceção da Apple, que mantém um eco-sistema quase que totalmente fechado, as demais têm investido em serviços abertos e equipamentos próprios em busca de uma alternativa para o tradicional computador, que já completa algumas décadas de vida.

O tablet chegou a ser considerado por algum tempo como o substituto natural, mas as limitações do iOS e atual estado de evolução do Chrome OS, têm dificultado as coisas e aberto espaço para telefones com telas enormes e serviços controlados por voz com Alexa, Cortana, Google Home e Siri.

O que o será que o futuro nos reserva? Um modelo cada vez mais fechado como o da Apple ou serviços multi-plataforma como os da Amazon, Google e Microsoft? Popularização de serviços web ou Aplicativos? E a computação via voz, vai mesmo substituir interfaces tradicionais como o teclado e mouse? E o computador, vai realmente desaparecer?

Evidentemente não temos uma bola de cristal, mas como nossa vida é ligada a serviços, equipamentos e usuários destas #tecnologias, convidei o Gustavo Faria do CocaTech para um conversa a respeito de como enxergamos o futuro. Clique abaixo para assistir e se gostar, compartilhe.

Pauta criada e editada no Evernote, workflow controlado no Trello e vídeo produzido nos aplicativos Luma Fusion e WeVideo no meu Chromebook Acer R11.

 

SERVIÇOS QUE USO, GOSTO E RECOMENDO

 
 

1 - A batalha das gigantes em busca da Inteligência Artificial

Nunca imaginei que chegaríamos a esse ponto tão rapidamente, mas depois do lançamento da Siri, muito aconteceu e o Echo da Amazon junto com o Google Home parecem apontar para uma nova tendência.

Computadores ao estilo Jornada nas Estrelas em breve nos ajudando em tarefas cotidianos. Neste episódio inaugural do podcast exclusivo para assinantes, compartilho minhas opiniões a respeito das iniciativas da Amazon, Apple, Google e Microsoft nessa direção.

Entenda porque o iPad Pro não substituirá meu notebook

O futuro do iPad Pro parece claro, substituir o computador. Será? Bom, ao menos foi o que Tim Cook insinuou recentemente.

— Por que alguém compraria um PC?
— Para muitos, o iPad Pro já é um substituto para o notebook ou desktop.

Note que ele até foi cuidadoso usando o termo “PC” na primeira afirmação, mas parece ter esquecido que a Apple também vende notebooks e desktops e resolveu bancar o político brasileiro explicando que estava se referindo apenas aos computadores da concorrência.

O que vejo é o seguinte, por mais que Cook desconverse, o iOS tende a substituir o OS X por ser um sistema moderno e adequado para telas touch e, além disso, tablets e telefones da Apple são muito mais populares que o Mac. Evidentemente, o mesmo raciocínio vale para a Alphabet e o dilema Android x Chrome OS.

+ O Chrome OS vai mesmo morrer?
+ Apple, Microsoft, Google e a inclusão digital

Jobs chegou a dizer algo como: “computadores sempre existirão, mas serão cada vez mais parecidos com caminhões”. Ou seja, serão usados para tarefas muito específicas. E na mesma entrevista, lembro dele também afirmando que os mais velhos, da era do computador — eu! —, serão os que terão mais dificuldade para compreender e aceitar isso.

A afirmação é clara e o rumo parece evidente, mas às vezes me pergunto: a Apple sabe mesmo o que está fazendo? Por exemplo, a ausência de uma tela touch no Mac é constantemente explicada pela dificuldade de usar o dedo em uma interface feita para a precisão do mouse. Concordo, mas não seria o caso de usar um argumento similar para o teclado externo do iPad Pro?

Há muita reclamação a respeito disso nos artigos que andei lendo. Mesmo considerando os novos atalhos de teclado no iOS, algumas tarefas precisam ser divididas entre teclar e estender a mão até a tela para concluir sua execução.

John Gruber, por exemplo, reclamou bastante disso. Felizmente a tela do Pro é grande o suficiente para deixarmos de lado o acessório. Mas não teria sido o caso da fantástica equipe da Apple ter encontrado uma integração melhor? Ou quem sabe modificar aos poucos a interface do OS X para interagir mais adequadamente com telas touch no futuro? Aliás, esse parecia ser o caminho que a empresa vinha seguindo no passo.

Acredito que todos aqueles que já experimentaram um teclado externo em um tablet para atividades longas sofrem com o problema. Usei um iPad de primeira geração para escrever boa parte do Organizando a vida com o Evernote, mas sem a ajuda de um mouse e trackpad, nunca me adaptei. O virtual em tela é mais eficiente para teclar e ao mesmo tempo acessar comandos.

Já reparou que o teclado externo do Pro não tem um trackpad e o do Surface tem? Ou seja, em modo tablet a solução adotada pela Microsoft foi usar a interface moderna do Windows 10. E em modo notebook, os tradicionais sistemas de entrada: teclado e trackpad. Me parece mais abrangente e inteligente para o momento de transição que estamos vivendo.

Tenho escutado debates em podcasts, assistido vídeos e venho lendo incontáveis artigos a respeito do iPad Pro. Quase todos podem ser resumidos da seguinte forma:

  • É um equipamento muito poderoso e de altíssimo nível.
  • Não é um substituto para o notebook.

Nenhuma das duas afirmações me surpreende. Os produtos Apple são realmente de outro planeta. A qualidade e atenção aos detalhes são características únicas. Por outro lado, transformar o iPad em uma super-máquina e incluir um teclado e caneta, definitivamente não fazem dele um substituto para o notebook!

Minha opinião a respeito do produto é a seguinte: a Apple entregou um iPad mais poderoso que alguns de seus computadores e espera que os desenvolvedores façam a parte deles, o transformando em um verdadeiro substituto para nossos computadores. Inclusive o Mac!

Só que existem dois problemas nessa estratégia:

  1. Onde estão os Apps poderosos como o Pixelmator? Os primeiros iPads já eram equipamentos robustos o suficiente para muitas atividades e nunca se popularizaram como verdadeiros substitutos. E lembre-se, teclados e canetas (mais simples) existem há bastante tempo. Às vezes acho que nem os desenvolvedores acreditam no potencial de substituto porque, no geral, o que vejo são aplicativos incompletos e por isso nunca consegui realizar tudo que preciso usando apenas um iPad. As limitações aparecem a todo momento. E exemplos vem de casa também. O iMovie para iOS, por exemplo, apesar de incrível, tem algumas simplificações que não precisariam existir. O mesmo vale para o GarageBand, pacote iWork e assim por diante.
  2. A cada lançamento da empresa, fica muito claro que estão seguindo um plano de longo prazo, mas será que a Apple lembra que não vivem isolados no mercado? A concorrência vem lançando produtos e serviços cada vez melhores e tem ficado cada vez mais claro que o pano da Apple nem sempre traz a melhor solução para o momento.

Não sei quem teve a ideia primeiro, mas é evidente que Apple, Google e Microsoft têm como objetivo a mesma linha de chegada: o mercado de tablets e telefones! É como se estivessem em um jogo de tabuleiro. Avance três casas, fique sem jogar uma rodada, sorte ou azar nos dados e assim por diante. Ou seja, cada uma delas mostra as forças e fraquezas perante as demais a cada novo produto ou serviço lançado.

Porém, o que enxergo neste momento é uma Microsoft que entendeu que o mundo atual ainda é habitado por três tipos de criaturas: os que usam o computador (desktop ou notebook); os que usam tablets e/ou telefones e, principalmente, os que orbitam entre esses dois mundos.

Não me interessam as razões de cada um porque são inúmeras: condição financeira, mobilidade, tamanho de tela, crença ou que quer que seja. O fato é que os usuários estão divididos entre esses três mundos e existem vantagens e desvantagem em cada um deles.

Windows Mobile

Windows Mobile

A Microsoft, que ficou muito tempo patinando na linha de largada, resolveu recuperar o tempo perdido com uma solução focada nos três de uma só vez.

No princípio a estratégia parecia uma aberração da época do menu Iniciar nos antigos telefones da empresa, mas com o Windows 10 entendemos que ele foi pensado para atender as três situações com diversas soluções específicas e interessantes, dentre as quais, os novos Lumia 950 e 950 XL.

Ironicamente, o próprio Windows, que se desgastou muito ao longo dos anos, pode ser o principal vilão dessa estratégia. Um exemplo é o Surface. Considero o conceito interessantíssimo, mas não me sinto tentado a comprá-lo por conta do histórico de problemas do sistema operacional.

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O que tenho lido é que o sistema ainda está longe da perfeição mas tende a evoluir tecnicamente por debaixo do capô, mantendo-se a interface atual. Além disso, penso que os lançamentos recentes da empresa chegaram na hora certa. Estamos vivendo uma transição para um mundo de computação em tela, mas ainda é uma transição!

A Microsoft entendeu isso e está entregando híbridos que atendem as necessidades atuais de mobilidade e integração, enquanto vai preparando o terreno para evoluir tecnicamente. Na outra ponta, Apple e Google apostam em dispositivos específicos agora para possivelmente entregar um pacote completo no futuro.

Resta saber se o consumidor escolherá a paciência de acompanhar a evolução das coisas até lá ou vai tirar proveito do conjunto completo e tecnicamente razoável que pode ter em mãos neste momento.