VCP 176 - Por que venho me tornado mais produtivo usando um Android?

Migrei do Palm para um iPhone 3G e, desde então, venho comprando um novo modelo da Apple a cada dois anos ou mais. Atualmente utilizo um iPhone 6, mas tenho me interessado cada vez mais pelo Android por uma série de razões. Para começar, o casamento do Pebble como o sistema da Google é muito melhor e, conforme já declarei algumas vezes, prefiro a versão do Evernote para Android.

Venho acompanhando o sistema da Google desde que era apenas um projeto desconhecido. Ao longo dos anos ele evoluiu muito e hoje está mais estável e bem acabado. Além disso, quase todos os aplicativos que utilizo no iOS já existem na Play e, em alguns casos, com características e vantagens que não podem existir no sistema da Apple por conta de limitações impostas pela empresa. Enfim, o Android Marshmallow está chegando e pode ser o empurrão que faltava para minha migração.

Por que prefiro viajar com um Android?

Em Outubro de 2013, passei a usar um Android para me familiarizar com o sistema e atualizar o Organizando a vida com o Evernote. Entre Dezembro e Janeiro, ainda com o telefone, fiz uma longa viagem ao Equador e acabei descobrindo recursos muito vantajosos no Evernote para Android.

Sou criterioso na organização dos meus roteiros via Evernote e, conforme descrevo neste antigo vídeo, sempre construo numa Nota principal com links para tudo no meu roteiro. No iOS uso o truque de manter a Nota nos atalhos, mas no Android, há entre o incrível conjunto de Widgets um que me permite criar um atalho na tela Home para ir direto a uma Nota específica. No meu caso, é a Nota Roteiro. De dentro dela, navego via links internos, conforme expliquei no vídeo. Ou seja, é muito mais rápido acessar as informações da viagem via Evernote para Android.

Fotografia

Uma outra peça de tecnologia que me acompanha em algumas viagens é o cartão Eye-Fi. O iPhone e as lentes Olloclip são um excelente kit para fotografia, mas o zoom da minha Canon ainda é imbatível. O Eye-Fi tem aplicativos tanto para iOS quanto para Android, porém nesse ponto a Apple também complica um pouco as coisas. Para transferir as fotos, é preciso conectar o telefone via link direto usando um perfil no Wi-Fi. Se você faz parte do grupo de pessoas que achou essa última frase confusa, espere até tentar repetir a transferência várias vezes ao longo da sua viagem.

No Android, não me pergunte como, o cartão está sempre monitorando novas fotos e, quando possível, já as envia para o telefone sem a necessidade de nenhum tipo de ativação manual. Outra vantagem é não precisar de uma solução integrada com aplicativos estilo GeoTagr. O próprio App Eye-Fi, usando as coordenadas do telefone, pode ser configurado para incluir a localização nas fotos que chegam.

Duplo SIM Card

Não é o meu caso, mas alguns aparelhos Android têm capacidade para suportar dois ou mais SIM Cards. Sempre que viajo, compro um número local para economizar. É claro que não é o fim do mundo tirar um cartão e colocar outro, mas, convenhamos, é bastante conveniente não precisar fazer isso e, ao mesmo tempo, evitar correr o risco de perder aquele minúsculo pedaço de plástico contendo seu número do Brasil.

O cartão de memória extra também não está em todos os aparelhos, mas, da mesma forma, quando existe é uma garantia adicional. Meu iPhone já caiu na água durante uma viagem e, claro, perdi todas as fotografias não salvas em back-up. Sim, hoje em dia já temos muitos serviços para automaticamente subir fotos para nuvem, mas você vai precisar de um bom 3G/4G ou Wi-Fi para fazer isso. Não é exatamente raro nas viagens, mas não é o mesmo que estar na segurança do lar. Cartões de memória, por outro lado, são muito resistentes e podem ser facilmente retirados do aparelho. Portanto, manter as fotos lá é uma segurança adicional no caso de acidentes com o seu telefone. 

Conclusão

Ainda noto recursos ausentes neste ou naquele aplicativo, mas de um modo geral, não sinto falta dos principais aplicativos. E, conforme relatei nos parágrafos anteriores, em alguns casos o Android tem sido mais eficiente.

Porém, o ponto mais importante, em minha opinião, é o preço pago pela substituição de um aparelho danificado, perdido ou roubado. Resolver um problema com o iPhone nos EUA é muito diferente da mesma situação no resto do mundo. E no meu caso em especial, tenho interesse por locais particularmente complicados em termos de tecnologia e serviços. Substituir um iPhone nestes países é caro e difícil como no Brasil. Ao passo que, viajando com o Android, tenho já todos os aplicativos configurados e rodando e estou pronto para substituir o aparelho a qualquer momento.

O principal ponto negativo ainda me parece ser a câmera. Não há muitas alternativas para fotografar com boa qualidade e acabo preso a Canon a maior parte do tempo.

GeoTagr para incluir localização em fotos

Existem inúmeros aplicativos que fazem o mesmo, mas este é o que uso e gosto. O GeoTagr, disponível apenas em versão iOS, trabalha capturando sua localização para que depois você possa incluí-la nas fotos feitas via câmera sem recurso de GPS.

Os cartões Eye-Fi e as câmeras equipadas com Wi-Fi tentam resolver essa situação com triangulação de redes, mas, apesar de funcionar relativamente bem, não há como atingir a precisão de um GPS. O GeoTagr faz o trabalho de captura usando seu telefone e, quando a seção de fotos termina, basta aplicar a localização às fotos armazenadas no Dropbox, Mac, Rolo de Câmera do iOS, Flickr, Google+ ou SmugSmug.

+ Fotos da câmera e do iPhone no seu Rolo de Câmera.

É tudo muito simples, mas o funcionamento depende do perfeito sincronismo entre os relógios da sua câmera e do telefone. Portanto, a primeira coisa a fazer é sempre verificar se estão no mesmo horário de verão, fuso etc. Não há necessidade de precisão nos segundos, mas precisam estar sincronizados na casa dos minutos.

Uma vez ajustado o relógio da sua câmera, vá até o App GeoTagr e pressione o botão Record. Ele lhe oferecerá algumas opções de configuração (topo da tela) e começará a rastrear sua localização. As alternativas são: GPS, Wi-Fi e Torre de Celular.

A duração da bateria segue essa mesma ordem. Dura menos com o GPS e muito mais com o sistema de triangulação por celular. Utilizo quase sempre essa última. Diferente do Wi-Fi, há muito mais antenas de celular a nosso redor e as posições encontradas ficam muito precisas. Opto pelo GPS apenas quando estou em locais afastados de centros urbanos. 

Dica: durante suas viagens internacionais, desligue o sistema de dados do iOS e mantenha o celular (voz) ativo. Ele ajudará o GPS do telefone via triangulação com antenas de celular próximas. Mas lembre-se, para não ser cobrado por roaming, não atenda ligações.

Ao concluir a seção de fotos, clique no Stop e passe a trabalhar na manipulação de suas imagens. No meu caso, tenho enviado tudo para o Flickr e uma vez concluído o upload, volto ao App GeoTagr no telefone e dentre as opções disponíveis no menu Geotag, escolho Flickr. Caso seja sua primeira vez, precisará antes conectar as duas contas. O App compara os horários armazenados com os das fotos e inclui a localização em todas as que fazem parte daquele intervalo. Por isso é muito importante que os relógios estejam sincronizados.

A mesma lógica pode ser aplicada a uma pasta do seu Mac ou aos outros aplicativos: Rolo de Câmera do iOS, Dropbox, Google+ e SmugMug. Ou seja, caso prefira, é sempre possível editar antes as fotos no computador ou telefone/tablet e depois aplicar a localização.

Conforme mencionei no início do artigo, há diversos aplicativos que fazem o mesmo. Além disso, uma outra possibilidade é utilizar o recurso de mapa do próprio Flickr. Lá há como indicar onde uma imagem foi feita. O problema é ter lembrar do local exato e incluir manualmente a posição em cada uma das fotos.