Um papo sobre 6 anos em Home Office (minhas dicas).

Trabalho em esquema de Home Office desde 2012 e também já ajudei algumas empresas a migrarem para esta realidade.

A redução de custos é significativa e, considerando só as horas perdidas no trânsito, o ganho na qualidade de vida já é enorme. Além das empresas que ajudei na migração, atendo cada vez mais pequenas empresas que trabalham assim.

O plano hoje é compartilhar algumas opiniões a respeito do que é trabalhar em Home Office e como encontrar um equilíbrio entre lazer e trabalho estando dentro de casa sempre.

Mais adiante publicarei um segundo vídeo compartilhando dicas de aplicativos que podem nos ajudar nesta jornada.

Separe os Ambientes

Se prestar atenção nos meus textos e vídeos perceberá que sempre uso as expressões "casa" e "escritório" de forma separada. Portanto, minha primeira dica é: separe os ambientes. Sua mente precisa entender que existe um local da casa que server para trabalhar e o restante é sua casa.

Se você tem um quadro sobrando, ótimo. Caso contrario encontre um canto, coloque sua mesa e computador ali e se possível use alguma divisória. Pode ser até um biombo. Aquele é seu espaço de trabalho. Não leve trabalho para outras partes da casa e nem leve lazer para seu escritório.

Invista no Conforto

Não estou dizendo que você deve gastar horrores e comprar os melhores móveis do mundo, mas uma mesa que tenha a altura ideal e uma boa cadeira são essenciais. É o mínimo que você esperaria do seu empregador. Portanto, invista no seu conforto.

Trabalho Externo

Mesmo separando os ambientes, eventualmente você vai precisar sair um pouco de casa. Uma boa forma de fazer isso é visitando seus clientes. O relacionamento é importante e você poderá frequentar outros ambientes. Escolha um ou dois dias da semana para fazer isso e marque as reuniões em horários diferentes dos congestionamentos.

Outra possibilidade que explorei muito, principalmente no início, foi o trabalho em cafés. É uma forma de ver gente e trabalhar em um ambiente diferente. Mas tenha cuidado para não transformar suas idas frequentes em grandes dívidas no final do mês.

+ O café aumenta ou diminui a produtividade?

Frequente alguns cafés até descobrir aqueles que têm bons preços e boa Internet. Mas os sem Internet também são importantes porque às vezes o trabalho precisa desta desconexão.

Horários Flexíveis

Não necessariamente você precisará trabalhar no habitual horário de 8:00h as 18:00h. É claro que você não vai ligar para um cliente as 10 da noite, mas há uma série de coisas que você pode fazer em outros horários. Por exemplo, vou a academia no meio da tarde e resolvo problemas pessoais em horários comerciais. Depois compenso trabalhando até um pouco mais tarde. Se você se organizar, verá como é mais eficiente ir a um supermercado na terça-feira as 3 da tarde.

Preto, Branco e Cinza

Meu plano de migar para o Home Office é muito antigo, mas nenhuma das empresas nas quais eu trabalhei permitia trabalho remoto. Como o plano de ser um consultor era também muito antigo, resolvi unir as duas coisas. Mas não foi nada fácil.

Começar um negócio por conta proporia enquanto ainda está na sua atividade remunerada tradicional exige passar pelo que um amigo chama de zona cinza. Segundo ele, para ir do branco para o preto vamos, necessariamente, caminhar pelo cinza por algum tempo. No meu caso foram alguns anos entre os dois mundos. 

Mas comecei o processo de migração de fato há mais de seis anos e naquela época não existiam nem metade das ferramentas que existem hoje. Portanto, este for seu desejo, identifique algo que você faz bem e comece a experimentar sem deixar seu trabalho atual. Entenda se realmente existe demanda e vá caminhando aos poucos pela zona cinza até que você possa chegar na outra extremidade.

Equilíbrio

Lembre-se, Home Office não é estar de férias eternamente, mas o risco invertido também existe. Algumas pessoas acabam trabalhando demais. Não faça isso! A separação do espaço na casa ajuda muito, mas quando estiver no espaço pessoal da casa, esqueça as notificações de trabalho e vá curtir a vida.

E você, já pensou em migrar para o Home Office? Ou acha esta ideia um absurdo? Por favor, compartilhe suas opiniões porque estou curioso.

 

O café aumenta ou diminui a produtividade? Ouça a explicação da Dra. Andreia Torres.

Depois que eu publiquei um vídeo no Instagram mostrando como preparo meu café usando uma AeroPress, o Renaldo Freire deixou um comentário sugerindo um vídeo para meu Canal no YouTube discutindo o efeito da bebida na nossa produtividade.

Como o café é um tema recorrente, aparecendo muitas vezes nas minhas fotos e vídeos, outras pessoas já haviam sugerido um vídeo a respeito de café e produtividade. O problema é que apesar de achar o tema interessantíssimo, na verdade não tenho conhecimentos técnicos para falar sobre o assunto. Apenas curto a bebida.

Felizmente conheço uma pessoa bastante gabaritada que pode nos ajudar. Minha esposa é nutricionista com pós-doutorado e pedi para ela gravar uma explicação científica a respeito da relação entre café e produtividade.

Para entender se o café aumenta ou diminui a produtividade, assista o vídeo abaixo e deixe seus comentários ou dúvidas.

Um quebra-cabeças chamado Health

Comecei a armazenar informações das minhas corridas em 2006 via Nike+ e, algum tempo depois, migrei para o RunKeeper porque foi uma das primeiras soluções desse tipo a surgir para o iPhone. Cheguei a imaginar que com o tempo o aplicativo se tornaria uma espécie de centralizador de informações relativas à saúde, mas isso nunca aconteceu. Na verdade surgiram diversos outros serviços que hoje competem entre si, ao mesmo tempo que compartilham informações uns com os outros.

A Apple tentou resolver o problema criando o aplicativo Health e apesar de ser uma iniciativa bem interessante, não consegui ainda encontrar uma forma de otimizar a coleta e consulta das minhas informações por lá. O fato é que ele me parece muito mais um espaço centralizador que existe apenas para ler e compartilhar com outros aplicativos as nossas informações.

Os que usam aparelhos iPhone 5S ou superior, têm seus passos automaticamente enviados para lá. As demais informações precisam ser incluídas manualmente ou coletadas via todo tipo de acessórios existentes no mercado. O Health mostra tudo em um painel que você ordena como desejar. O problema é que não há como cruzar informações. Por exemplo, não posso comparar sono com cafeína colocando um gráfico sobre o outro. O mesmo vale para peso e corrida e assim por diante.

Por outro lado, com a autorização do usuário, qualquer aplicativo pode ler as informações armazenadas no Health. Perfeito, basta escolher a alternativa correta e terei meus gráficos, certo? Errado! O mundo que gira em torno do Health é ainda bastante caótico. Vejamos alguns exemplos.

O aplicativo Jawbone UP atualmente apenas lê e escreve informações relativas a passos e sono. O RunKeeper é um pouco mais completo. Envia atividades, peso e calorias e lê atividades, data de nascimento, sexo, altura e peso. O MyFitnessPal é bem interessante. Manda as informações "quebradas" em nutrientes. Ou seja, no Health você verá um histórico detalhado de todo tipo de elemento químico e similares. O UP Coffee manda cafeína e não recebe coisa nenhuma. Já o aplicativo Withings, manda um mar de medições coletadas dos seus diversos acessórios, mas não lê absolutamente nada.

Não bastasse essa confusão toda, os aplicativos podem ser diretamente conectados uns aos outros. O Jawbone UP, por exemplo, pode trocar informações nutricionais com o MyFitnessPal e ler as corridas do RunKeeper. O Withings pode ler as corridas do RunKeeper e mandar seu peso para o aplicativo Jawbone UP. Mas não manda seus batimentos cardíacos e nem lê a cafeína coletada pelo UP Coffee. O Misfit se conecta com vários aplicativos, mas não envia dados de sono nem para o Health. Aliás, publiquei minha indignação a esse respeito no Twitter e me responderam dizendo que em breve isso mudará.

Certo de que conseguiria solucionar o quebra-cabeças usando essas peças, instalei os aplicativos no meu iPhone, ativei os compartilhamentos com o Health e conectei todos entre si. Que caos, não é mesmo? Pois é, precisava resolver isso o quanto antes para desfazer essa bagunça e imediatamente comecei a verificar as características de cada um e o que compartilhavam um com o outro. Além disso, precisava descobrir qual deles seira o melhor para agregar e gerenciar todas as informações. Calma... vamos colocar mais lenha nessa fogueira!

Uso o Pebble e nele já experimentei os aplicativos Misfit e o Jawbone UP. O Misfit mede o sono de forma muito eficiente via relógio, mas como já dito, não manda essa informação para parte alguma. O UP, por sua vez, compartilha o sono, mas não o monitora automaticamente via relógio. Recentemente descobri que era possível fazer isso manualmente, mas, convenhamos, não faz o menor sentido. Santa confusão tecnológica, Batman!

Depois de dias e quase enlouquecido, percebi que o problema era ainda mais complexo. Aparentemente os aplicativos não têm nenhum tipo de inteligência no que se refere às informações que coletam um do outro. Isso ficou muito claro para mim depois de uma corrida monitorada via RunKeeper. Assim que terminei, medi meus batimentos cardíacos via camera do iPhone usando o App Withings e adivinha o que aconteceu? O Withings me disse que eu deveria procurar um cardiologista porque meus batimentos estavam muito elevados. Sério?! Eu acabei de correr e você sabe disso!

Outra confusão desse tipo é a conexão entre UP e MyFitnessPal. Honestamente não entendi qual sua razão de ser. O UP permite incluir alimentos e, a partir disso, traça um plano para, baseado no cruzamento das calorias consumidas e gastas, te ajudar a emagrecer. Mas isso é exatamente a mesma coisa que o MyFitnessPal faz! Aliás, no ato da conexão, o UP avisa que você pode incluir os alimentos em um ou no outro aplicativo. Não, não tentei incluir a mesma coisa nos dois ao mesmo tempo!

Não entendi nada... Por que vou querer ter dois aplicativos que fazem a mesma coisa? Provavelmente a Jawbone (empresa) está pensado nas pessoas que compram a sua pulseira e usam o MyFitnessPal. Ainda assim acho uma estratégia estranha porque outro dia desses declararam que vão investir mais no serviço.

Há alguns meses, antes desse meu teste caótico, descobri um tal de TICTRAC, que prometia ser a solução para esse tipo de consolidação de dados. Na época achei confuso demais e hoje sei que não resolverá o problema de inteligência não aplicada às informações coletadas. Além disso, eles começaram a se distanciar do tema saúde e passaram a abarcar todo tipo de conexão com os mais variados aplicativos. Acho que agora até Instagram faz parte das opções.

Jawbone UP

Não resolvi meu problema, mas estou apostando tudo no aplicativo UP. Li que eles são um dos parceiros da Pebble trabalhando na timeline do novo Time e algo me diz que a linha do tempo, que hoje aparece no aplicativo do telefone, aparecerá no relógio. E espero que eles passem também a medir o sono automaticamente.

...at launch, Pebble is partnering with Jawbone, ESPN, Pandora, and The Weather Channel to inject snippets of information into the timeline, and it says more partnerships are on the horizon...
The Verge

Demoro bastante para ir me deitar, mas não tenho insônia e tão pouco acordo no meio da note. Durante o tempo em que usei a pulseira UP, que monitora o tipo de sono, isso ficou mais que comprovado. Por essa razão, não me incomoda tanto a ausência do recurso no Pebble.

Além disso, o aplicativo me agrada muito por conta dos seus elementos visuais. A imagem abaixo ilustra bem isso. No topo à esquerda, estão as informações de "hoje" e o sinal de adição na base permite incluir informações manualmente. Um pouco mais abaixo, aparecerá a linha do tempo ao rolar a tela.

É possível ver mais detalhes de qualquer dos três elementos no topo ao clicar em um deles (ex.: nutrição na imagem da direita). Perceba que além de indicar o meu consumo calórico do dia, posso ver tudo dividido em grupos. Ou seja, consigo controlar a quantidade e a qualidade. E como os passos são medidos via Pebble e corrida via RunKeeper, ele me mostra o quanto preciso consumir menos para reduzir meu peso.

Dica: caso tenha um iPhone 5S ou superior, o aplicativo conseguirá ler seus passos sem a pulseira ou o relógio. Basta conheça-lo ao Health.

A parte delicada (para não dizer chata!) do processo é incluir os dados a cada refeição. Quem vive nos Estados Unidos tem a vida um pouco facilitada porque é possível ler o código de barra dos produtos e há também uma lista de itens dos cardápios de alguns estabelecimentos. Por exemplo, um dia desses encontrei e incluí um sanduíches da Starbucks.

Já alimentos não industrializados serão problemáticos em qualquer parte do mundo. Um prato com arroz, feijão, salada, carne etc. vai dar um certo trabalho. Você precisa encontrar item a item na lista e informar a medida de todas as porções.

Apesar de chato, o interessante de manter o controle é poder comer certas coisas sem remorço. Ontem a noite tomei uma cerveja porque vi que não prejudicaria a minha meta do dia. Hoje também estou bem. Já são 22:00h e ainda tenho "direito" a 296 calorias!

Café

Outro aplicativo da Jawbone que gosto muito é o UP Coffee. Como tomo alguns copos da bebida por dia, é interessante saber a quantas anda meu consumo e como isso vai interferir na minha hora de dormir. Curioso é que apesar da conexão com o Health da Apple, não percebi nenhum outro aplicativo tirando proveito dessa informação.

O que não tem solução, solucionado está!

Apesar de ter escolhido o UP e estar relativamente satisfeito, o aplicativo precisa ainda de bastante atenção, principalmente no tocante a coleta e envio de informações para o Health. Além disso, seria importante dar um pouco mais de foco a versão Pebble. Por outro lado, é impressionante o quanto esse mercado evoluiu desde 2006.