Vale a pena comprar um Chromebook?

Você sabe o que é um Chromebook? Será que é possível ser produtivo com esse tipo de computador?

Comecei usando um dos primeiros modelos da Samsung em 2016 e por conta da possibilidade de instalar aplicativos Android, em especial o Evernote, migrei recentemente (janeiro de 2017) para o Acer R11.

Mas afinal de contas o que é um Chromebook? Nesse episódio explico o que são esses equipamentos, quais suas características, como eles concorrem com os produtos da Microsoft e Apple e se vale a pena ou não comprar um.

Vamos começar entendendo o que é o Chrome OS. Trata-se do sistema operacional criado pela Google e que é utilizado com mais freqüência em notebooks que, por sua vez, são chamados de Chromebooks. Mas existem versões do sistema para computadores de mesa, modelos em formato de pendrive HDMI para ligar em televisões e até uma forma de instalar ele em antigos computadores

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Porém, acredito que a melhor forma de definir o Chrome OS é como um agregador de todos os serviços Google. O pacote de aplicativos compatíveis com o Office, o Google Photos, Google Music, Hangouts e muitos outros serviços funcionam muito bem no Chrome OS.

E pra juntar tudo isso da maneira mais elegante possível, o Google Drive faz o papel de um gerenciador de arquivos no computador. As suas pastas estruturadas e arquivos do Drive aparecem como se estivessem no computador. Mas nem sempre estão lá porque normalmente os Chromebooks têm pouco espaço para armazenamento. Calma, já te explico isso funciona.

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Antes quero comparar as estratégias da Apple, Microsoft e Google para um novo modelo de interação com a máquina que uns definem como sendo convergente, juntando a experiência do móvel com a do computador, e outros acreditam em um mundo em que todos os equipamentos continuarão executando suas funções de forma separada, porem integrados a nível de serviços.

A Apple adotou uma estratégia de caminhar para equipamentos separados. iPhone, iPad e Mac têm características e públicos bem definidos, segundo a empresa. Pessoalmente vejo vários problemas nessa estratégia. Por exemplo, os aplicativos para iOS são na sua maioria muito restritos quando comparados com suas versões para o o Mac.

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Outro problema sério é a limitação do navegador. O Safari ou mesmo o Chrome para iOS são versões mais simples dos navegadores que usamos em nossos computadores. Navegar pela Web não é exatamente um problema, mas se você precisa ou quer usar extensões que abrem incríveis oportunidades, você não vai conseguir fazer isso no iOS.

Essa estratégia da Google é bem interessante e me permite usar, por exemplo, o Evernote como se estivesse em um tablet Android, mas não está livre de problemas. No dia-a-dia é possível perceber claramente que você está usando dois sistemas ainda não integrados. Mas é importante lembrar que o uso da Play ainda está limitado há alguns dispositivos e encontra-se em beta. Além disso, eu diria que pra funcionar de forma eficiente você vai precisar usar um dos equipamento com tela touch, como o R11 da Acer.

Mas vamos voltar ao Chrome OS. Diferente do que muita gente pensa, os Chromebooks podem funcionar normalmente sem a Internet. É claro que tudo que depende da rede, como enviar um email, não vai funcionar, mas isso vai acontecer também no seu Mac ou PC.

Lembra do Google Drive funcionando como um gerenciador de arquivos? O Chrome OS mostra todos os nomes e pastas e guarda automaticamente os 100 últimos arquivos nos quais você trabalhou. Além disso, você também pode entrar no Google Docs, Sheets ou Slides e selecionar arquivos para que eles fiquem em modo offline e assim poderá trabalhar normalmente neles quando estiver longe da Internet. Assista o vídeo para saber como.

Já trabalhei diversas vezes dessa forma em aviões ou em locais sem acesso a Internet. E agora com os aplicativos da Google Play, as possibilidades são quase ilimitadas. E bem diferente do que a Apple quer nos fazer acreditar, é muito produtivo trabalhar com uma tela touch junto com o teclado em um computador tradicional.

Levo as mãos à tela em diversas situações. Quando estou lendo conteúdo online no Twitter ou assistindo vídeos no YouTube, é muito mais conveniente usar a tela touch. E mesmo no caso de alguns aplicativos como o Evernote, que tenho usado com bastante freqüência no meu Chromebook, os dedos na tela funcionam muito bem combinados o trackpad e teclado.

Mas e aí, vale a pena comprar um?

Vou colocar dessa forma. Se eu não estivesse produzindo vídeos ou podcasts, já teria migrado. É claro que você não vai ter a versatilidade de um computador tradicional, mas praticamente tudo que fazemos hoje em dia acontece online. Pense comigo… Spotify, Netflix, redes sociais, YouTube, email etc.

E para escrever documentos, usar planilhas ou criar apresentações, o pacote office do Google é muito bom. Mas se você não gosta, a Microsoft também tem uma versão online do Office e aplicativos para Android que já podem ser instalados em alguns modelos de Chromebook.

O que nos leva as minhas recomendações. Se você está pensando em comprar um, leve em consideração modelos que permitirão a instalação de aplicativos do Android e nesse caso, prefira os modelos com 4GB de memória e tela touch.

Sobre o Acer R11, estou gostando bastante, mas o trackpad é bem ruim e acabei comprando um mouse pra ele. A tela pode ser dobrada totalmente para trás, mas ele não é confortável para ser segurado com um só mão como fazemos com os tablets. Por outro lado, usar ele no colo funciona muito bem. E o teclado que aparece em modo tablet é bem ruim, mas funciona para pequenos conteúdos ou para digitar endereços de site e é muito simples virar de volta a tela para digitar no teclado físico.

Bom, há muito mais pra ser dito a respeito desses equipamentos. Especialmente a integração com o Android, mas vou deixar isso para outro momento. E você, usa ou pretende comprar um Chromebook? Gostaria de ouvir suas opiniões. Deixe um comentário ou dúvidas. E por favor, clique no like e compartilhe o vídeo com os amigos.

Como transformei um velho iMac de 2008 em um novo computador sem gastar nada

Depois de quase 9 anos de vida o macOS ficou lento demais no meu antigo iMac 2008 e até esse final de semana ele estava guardado no armário simplesmente porque não tive coragem de jogar fora um equipamento tão belo.

Como nunca me conformei com a situação, resolvi aproveitar a oportunidade para experimentar algo que andava me provocando há algum tempo.

Em 2015 “descobri” os Chromebooks e o o sistema Chrome OS e me apaixonei pela simplicidade e eficiência do conjunto. Desde então venho me envolvendo cada vez mais com o projeto e em 2015 comprei um Chromebook da Samsung para fazer alguns testes.

Percebi que era possível realizar inúmeras tarefas usando o sistema e cheguei a experimentar trabalhar por 30 dias consecutivos sem abrir o Mac. Depois passei meses usando o Chromebook por meio período diariamente e hoje em dia ele sempre me acompanha nas viagens. O Mac só entra na mochila quando o assunto são meus workshops porque não existe ainda uma versão do Evernote específica para o Chrome OS.

* ATUALIZAÇÃO: No início de 2018 comecei uma migração gradativa do Mac para o Chromebook e atualmente (novembro/2018) o Acer R11 é meu computador principal.

Esse ano (2017) aproveitei uma viagem internacional e comprei um Acer R11 com tela touch e com suporte para aplicativos Android.

Os estudos a respeito do Chrome OS também me levam a descobrir o Chromium OS, a versão open-source do sistema e que pode ser instalada em diversos computadores.

Para transformar meu iMac de 2008 em uma máquina eficiente em pleno 2017, utilizei o CloudReady e o processo de instalação da Neverware.

Está tudo detalhadamente explicado no site da empresa, mas basicamente você vai precisar de um pendrive de ao menos 8 GB, uma extensão gratuita para o navegador Chrome e depois disso seguir os passos para download e instalação do Chromium OS. O procedimento todo é muito simples e relativamente rápido. O que demora um pouco é o download e o processo de instalação propriamente dito.

É possível rodar o sistema a partir do pendrive, mas achei que ficou lento demais e, além disso, meu objetivo não era esse. Dependendo do computador, você pode também instalar com duplo boot (há uma lista de equipamentos compatíveis no site da Neverware), mas como o macOS estava impraticável no meu antigo iMac, simplesmente instalei o Chromium OS em cima do sistema da Apple.

Dica para quem não fala inglês. Copie o endereço da página que deseja traduzir e cole dentro da caixa de tradução do Google Tradutor. Depois é só clicar em “Traduzir” e o site aparecerá traduzido.

Google Tradutor

O iMac agora está veloz e funcionando muito bem. E antes que você diga que o Chrome OS não serve para trabalho de verdade, reflita sobe o tipo de trabalho que você faz: envio de emails, navegação na web, Word, Excel, PowerPoint, Spotify, Netflix etc. Tudo isso e muito mais roda perfeitamente bem no Chrome OS.

Portanto, se você tem um antigo computador parado colhendo poeira no seu armário, instale o Chromium OS, divirta-se um pouco com o sistema e, se for o caso, depois doe o equipamento para alguém que ainda não tem um computador.

 

O Yoga Book é o tipo de produto que eu esperava da Apple

Quando Steve Jobs apresentou o primeiro iPhone, justificou a inexistência de um teclado fisico dizendo que o espaço em tela era precioso demais para ser usado com algo que tem apenas uma finalidade. Foi um choque, mas depois de muitas criticas, inclusive minhas, surgiu um mar de telefones e tablets com teclados virtuais. O mercado se transformou por completo.

A mudança radical trouxe uma tela multiuso que parecia ter vindo do futuro e foi um momento de importante ruptura com o passado, ou seja, inovação. Aquele momento foi radical, mas a Apple continuou sua trajetória surpreendendo o mundo com ideias ora incríveis, ora um tanto estranhas.

Em termos de especificações, o Yoga Book não é nenhuma super-maquina, mas o conceito e seu potencial de uso têm chamado a atenção de muita gente. Definitivamente não é impactante como o primeiro iPhone, mas confesso que entre ele e os lançamentos da Apple no dia 7 de setembro (2016), fico com a Lenovo.

O Yoga Book

Seguindo a tendência dos primos mais velhos, a tela roda 360 graus, fazendo dele um híbrido entre computador e tablet com teclado. Mas as semelhanças terminam aqui.

Por mais contraditório que possa parecer, não há teclas no teclado. O que existe são duas pranchas, uma fazendo papel de tela e outra que me remeteu imediatamente ao ano de lançamento do iPhone. Uma placa completamente lisa acende mostrando as teclas quando você precisa digitar algo. E convenhamos, no mundo de hoje, teclar é apenas uma entre as diversas atividades que executamos em um tablet. O outro recurso desse incrível teclado sem teclas é desenhar.

Uma caneta especial, que, diga-se de passagem, acompanha o produto, te permitirá desenhar na área do teclado e ver o resultado aparecendo na tela. Mas se você prefere papel, não há problema. Coloque uma folha sobre o teclado e rabisque a vontade usando a caneta com o refil de tinta. Aliás, é um refil padrão de mercado. E não se preocupe, você também pode usar o seu próprio papel. Em realidade, seus traços serão detectados em blocos de até 8 milímetros de espessura.

Voltemos ao teclado. O "conceito yoga” não é novo. Em realidade existem inúmeros computadores no mercado que já fazem isso. Mas a maioria deles não é nada elegante. Quando se transformam em tablets, o teclado fica estranhamente virado para trás. No Yoga Book o que vemos é uma placa lisa, que somada à tela chega a apenas 9,6 milímetros de espessura com um peso total de 690g.

Digitar em um teclado virtual é algo que muita gente não gosta de fazer, mas para tornar a experiência um pouco melhor, a placa vibra respondendo seu toque como ocorre no trackpad do novo MacBook e botão Home do iPhone 7/Plus. Além disso, por ser virtual, a Lenovo afirma que as teclas aprendem com nossos erros. Ou seja, se tocamos um pouco fora do espaço, o sistema começa a se adaptar à nossa forma de digitar e corrige os erros como já acontece ao digitarmos na tela dos atuais telefones e tablets.

O equipamento estará disponível em duas versões, uma que virá com Android Marshmallow e outra com Windows 10. Já as configurações técnicas são idênticas com duração da bateria variando de sistema para sistema. São 13h no Windows e 15h no Android. Ele vem equipado com um processador Intel Atom x5-Z8550, 4 GB de RAM, 64 GB de ROM, slot para cartão microSD com suporte a até 128 GB e conexões 3G, 4G e WiFi compatível com redes 5 GHz. Mas, apesar do jeitão de computador, ele é pequeno. São 256,6 mm de largura, 170,8 mm de altura e, como já dito, espessura de 9,6 mm.

Obviamente nem tudo são flores. Em primeiro lugar não entendi porque não utilizaram uma porta USB tipo-C. A especificação fala em micro USB. Também não gostei do fato de ter que trocar a "ponta stylus" por um refil de tinta para escrever em papel.

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Mas calma, segure sua empalação, o produto ainda não está a venda. Além disso, penso que o Yoga Book será um produto para um público muito específico. Por exemplo, não acredito que será útil para mim porque raramente desenho e todas as minhas anotações são feitas digitando. Mas ele me pareceu uma peça de tecnologia tão incrível que está sendo difícil resistir. E honestamente não me lembro de qual foi a última vez que algo anunciado pela Apple me causou tanta tentação.

Nota: Não experimentei o produto. O texto foi escrito com base em artigos e vídeos publicados por terceiros e informações oficiais disponíveis no site da Lenovo. As fotos utilizadas no artigo foram recortadas de material de divulgação disponível no site da Lenovo.