O Evernote é perfeito para guardar anotações feitas em livros

Muita gente têm o hábito de sublinhar passagens ou realizar anotações em livros. Fazemos isso porque algo importante ou interessante chamou nossa atenção.

O problema é que quando o livro acaba, ele vai para prateleira e todos aquelas grifos desaparecem para sempre do nosso universo. O mesmo vale para os livros eletrônicos. Passamos para o próximo e tudo que anotamos desaparece do nosso campo de visão. Portanto, na prática, é como se nunca tivéssemos anotado ou grifado nada.

Ao levar esse conteúdo para seu Evernote, ele aparecerá automaticamente em todas as suas buscas relacionadas e também será mostrado como sugestão de Nota para aqueles que usam a versão Premium do aplicativo. Existem algumas formas de transferir o conteúdo, e já falei sobre o assunto diversas vezes, mas a que mais gosto é o Clippings. Além de capturar o conteúdo, você poderá preparar e organizar tudo antes de enviar para o seu Evernote.

Isso é possível, porque todos os grifos e anotações que fazemos nos livros são armazenados localmente em nosso Kindle e levados para a nuvem da Amazon. O Clippings explora esses dois locais para coletar o conteúdo e guardar no Evernote.

Caso você tenha um dispositivo Kindle, poderá usar o serviço gratuitamente, conectado o aparelho ao computador conforme explico vídeo abaixo. Mas se você costuma ler apenas via tablet ou celular, a única alternativa é pagar pelo serviço para que o Clippings capture seu conteúdo armazenado na Amazon.

Não é uma competição por esse ou aquele espaço, é tudo em função da inteligência artificial

Há algum tempo o Google lançou o serviço Local Guides e, sem muito esforço, começou a competir diretamente com o TripAdvisor, Yelp e outros.

Para quem já usa o Google Maps (quem não usa?), trata-se de um passo natural porque praticamente todos os locais que procuramos já estão catalogados lá dentro.

O que o Google está fazendo agora é polir seu mapa com o conteúdo do Local Guides (e de outras fontes, é claro). Para isso, convidou usuários comuns para alimentarem o sistema com informações mais detalhadas. Além das estrelas e comentários, é possível responder perguntas sobre estabelecimentos, incluir endereços, página web, telefone etc. E cada ação dessas gera pontos que são convertidos em prêmios.

Outra iniciativa nessa mesma direção foi o lançamento do Trips, que ao estilo Google, varre informações dentro do seu Gmail e outras partes para construir um roteiro automático da sua próxima viagem. Instalei e notei que ele já criou alguns roteiros para mim, mas ainda não cheguei a experimentar.

Até então eu vinha enxergando essa e outras ações como competições diretas, mas, pensando bem, não parece ser o caso. Depois da apresentação Made by Google ficou tudo muito claro para mim. A empresa está, em realidade, migrando da busca simples para um assistente que, naturalmente, já é “mais inteligente” que a concorrência em razão de tudo que o Google sabe a nosso respeito.

+ Tudo que foi anunciado na Made by Google em menos de 10 min

Pense sobre o Trips e o Local Guides por um minuto. A empresa já conhecia nosso perfil de deslocamento com base nos dados do Maps e agora saberão que estabelecimentos gostamos mais e qual nosso estilo de viagens.

O assistente ainda está nascendo, mas já faz coisas incríveis. E você não precisa do Google Home para experimentar. Instale o Allo e comece a conversar com o Google, mas por ora, apenas em inglês. Algumas respostas ainda são hilárias, mas o enorme potencial aparece quando o conjunto todo funciona.

Pedi para ele me mostrar restaurantes por perto e o App solicitou autorização para ver minha localização. Concedido! O assistente começou a me perguntar que tipo de comida eu gosto e já listou algumas opções de cozinhas. Fui marcando algumas e escrevi outras que não apareciam nas sugestões.

Mas quando resolvi testar o nível de inteligência com a frase “Gosto de hamburger, mas minha esposa é vegetariana”, a coisa ficou complicada demais e a resposta foi: “Hmmm, não entendi muito bem. Que tipo de comida você gosta?”. Outro momento hilário foi perguntar “O que fazer hoje a noite?” e ouvir “Eu gosto de passar meu tempo indexando a web”.

Voltando ao papo do restaurante, incluí uns 4 ou 5 tipos preferidos de cozinha e recebi vários cartões do Google Maps com fotos, estrelas e outras informações. De onde vem tudo isso? Acertou! Local Guides.

O detalhe interessante dessa busca foi ver logo abaixo da tela de resultados o botão “ver no mapa”. Pressionei e o Google Maps abriu só com a relação dos restaurantes do Allo, mas com tudo apontado no mapa.

Isso é apenas o começo, mas já podemos refletir sobre consequências futuras. Experimente ir até a loja online do Google ou Apple em busca de aplicativos que mostram a previsão metereológica e verá uma enorme quantidade deles aparecendo. São tantos e tão variados que fica difícil escolher o melhor.

Mas a pergunta que fica é: quantos anos você acha que esse tipo de aplicativo sobreviverá? A tendência natural é passarmos a usar apenas a Siri, o Ok Google e outros para conseguir essa informação instantaneamente. E acredito que é bastante razoável aplicarmos o mesmo raciocínio ao TripAdvisor e Yelp, porém considerando um intervalo de tempo muito mais longo.

Portanto, se você é um desenvolvedor e está pensando em criar um App, fica a dica: reflita um pouco sobre Inteligência Artificial e assistentes antes de investir tempo e dinheiro em uma ideia.

O diabo, como dizem, está nos detalhes e o Google parece ter entendido e aplicado isso melhor do que ninguém. Assim como acredito que não estão competindo diretamente com os serviços TripAdvisor e Yelp, penso que os equipamentos da Apple não são o alvo da iniciativa Made by Google.

Ao lançar um telefone, roteadores Wi-Fi, Google Home e um novo Chromecast, o Google está, em realidade, criando condições para polir ainda mais o assistente e enquanto faz isso, vai automaticamente atacando e destruindo algumas ideias e iniciativas pelo caminho.

O Facebook segue a mesma balada do Google. Aplicativos para mensagem, calendário e outros estão, em realidade capturando nossas informações, mas, parando para pensar com carinho no assunto, fica bem claro que —ainda!— não chegam aos pés do que o Google sabe e tem feito.

O Facebook não tem a sua disposição a gigantesca base de conhecimento global (Web) indexada em seus servidores e, apesar de saber muito sobre nossos gostos e ações online, quando comparado ao Google, tem apenas uma vaga ideia dos nossos passos e ações no mundo real.

E correndo por fora estão empresas como a Jelly que tiram proveito da arquitetura mais aberta do Echo da Amazon e do próprio Google Home que permitem integrações desse tipo. Você já pode, por exemplo, fazer perguntas específicas para o Jelly usando a expressão "ask Jelly" conversando com o Echo ou via #askjelly no Twitter. Em breve estará também no Google Home, mas será que um dia algo assim chegará a Siri?

Entendeu o resumo da história? A computação no futuro será onipresente e o dispositivo importará muito pouco. Se a Apple não parar de focar apenas no mais belo design do planeta e acelerar os passos em inteligência artificial e, o mais importante, passar a enxergar que existe um universo inteiro fora do seu próprio eco-sistema, será engolida por aqueles que estão começando a construir esse futuro agora.

Anote aí, o futuro é sobre inteligência artificial. Vencerá aquele que entender que todo o resto é acessório para atingir esse objetivo.

 
 

1 - A batalha das gigantes em busca da Inteligência Artificial

Nunca imaginei que chegaríamos a esse ponto tão rapidamente, mas depois do lançamento da Siri, muito aconteceu e o Echo da Amazon junto com o Google Home parecem apontar para uma nova tendência.

Computadores ao estilo Jornada nas Estrelas em breve nos ajudando em tarefas cotidianos. Neste episódio inaugural do podcast exclusivo para assinantes, compartilho minhas opiniões a respeito das iniciativas da Amazon, Apple, Google e Microsoft nessa direção.