VCP 181 - Internet pública via Internet.org e Project Loon

Neste episódio explico os dois projetos, um do Facebook e outro da Alphabet (Google), que têm como objetivo levar a Internet para todas as pessoas do planeta. São iniciativas nobres e ousadas, mas não existe almoço grátis. 

Apple, Microsoft, Google e a inclusão digital

Apesar do quadro negativo que alguns analistas pintam, a beleza e acabamento dos equipamentos, a preocupação com detalhes e a inovação ainda são características fortes da Apple e no fim traduzem-se em qualidades que fazem com que a empresa cresça ano a ano.

Continuo admirando os produtos e tudo que é possível realizar com essas incríveis tecnologias, porém é muito claro para mim que a Apple nunca conseguirá resolver o problema da inclusão digital no mundo. Não que seja esse o papel dessa ou de qualquer outra empresa. Inclusive, acredito só que será uma realização efetiva se o mercado enxergar esse espaço como algo economicamente viável. O fato é que a tecnologia precisa chegar a todos para que a qualidade de vida das pessoas melhore.

Longe dos Estados Unidos, Europa, Japão, partes da Ásia e outros locais mais ricos do globo, os produtos da Apple são caros demais para uma enorme parcela da população. Transformam-se em objetos de luxo em virtude das estranhas políticas e práticas econômicas desses países. Chegam ao absurdo de serem inclusive adquiridos e utilizados como símbolo de status. O curioso ─ para não usar a palavra “patético” ─ é que basta uma volta pelas regiões menos ricas do mundo rico e lá estará o iPhone, o Mac e outros equipamentos “caros” cumprindo o papel de apenas mais um no bando. O Android e suas variações de domínio público e a controlada pela Alphabet (antiga Google), ocupa o resto do espaço global que a Apple não consegue penetrar.

+ Apple, Google e o continente africano

Porém, independente de quem conquista esse ou aquele mercado, a inclusão digital, em minha opinião, tem que ser vista e tratada como algo além do “ter acesso à equipamentos”. A verdadeira inclusão é aquela que traz consigo a eficiência, qualidade de vida, informação útil etc. A Microsoft, com todos os desafios técnicos de décadas passadas, popularizou computadores e, mais que isso, simplificou seu uso. Efetivamente ajudou muitas pessoas! A verdade é que enquanto a Apple vendia os incríveis Mac por preços elevados, a Microsoft entregou ao mundo um produto quase estável e promoveu uma revolução silenciosa.

Vivemos agora uma segunda onda de popularização da informática. Ocorre que mesmo com a queda nos preços, computadores ainda são muito caros para uma enorme fatia da população global que habita países muito pobres ou regiões muito carentes de todas as nações. Por essa razão, smartphones Android com preços mais acessíveis passaram a conectar à Internet toda uma população que a Microsoft não conseguiu alcançar no passado e que a Apple provavelmente nunca atingirá em virtude das complexas realidades econômicas dessas nações.

Em diversos aspectos, o Android é para geração Y o que o Windows foi para geração X. A massificação do sistema e os problemas técnicos que traz consigo, repetem os passos da Microsoft. Atualmente o telefone é o primeiro e muitas vezes único computador de muitas pessoas no mundo, mas não se deixe iludir, não falo apenas da África. Acontece também no Brasil e em vários outros países.

Já mencionei algumas vezes que acredito que o KitKat começou uma guinada que parece atingirá seu ápice no Marshmallow. E minha gradual migração para o Android, que teve inicio justamente no KitKat, começou por curiosidade mas hoje tem toda relação com a inclusão digital. Quero muito ajudar as pessoas que não podem comprar produtos da Apple ou outros também caros.

+ VCP 157 - Google I/O 2015

Percebo que o Android finalmente chegou à maturidade e que muitas empresas têm notado isso e vêm oferecendo produtos e serviços de qualidade para a plataforma. Não encaro como uma guerra de vitoriosos e derrotados, apenas quero encontrar formas de executar as mesmas tarefas, com eficiência, usando produtos sem uma maçã estampada na parte traieira.

Estou há semanas utilizando um Android como telefone principal e passei exatos 7 dias mergulhado num Chromebook realizando todas as minhas atividades enquanto o MacBook Air dormia em um armário escuro. Li e respondi meus e-mails, assisti filmes, escrevi relatórios, produzi e publiquei artigos, editei imagens, usei o Evernote, gerenciei projetos, gravei e editei vídeos, gravei e editei podcasts e muito mais. Tudo isso com um Chromebook e um telefone Android. Foi simples? Fácil? Prático? Nem sempre! Mas foi possível e isso me deixou realizado. A propósito, meu iPhone 6 também encontra-se em estado de hibernação.

Ainda não descobri como fazer tudo ou como executar todas as tarefas de forma tão eficiente quanto antes, mas vou descobrir! E vou compartilhar cada progresso! Mas, independente disso, tenho uma convicção: qualquer tecnologia é melhor que nenhuma e, além disso, tecnologias um pouco mais avançadas tornam vidas melhores e mais eficientes do que eram quando usavam tecnologias mais antigas.

Na prática, troquei dois equipamentos que somados chegam a 8 a 10 mil Reais (dependendo do câmbio) por dois outros ao preço total de R$2.494,00 e estou executando paticamente as mesmas tarefas. Isso é palpável, isso é muito importante para muitas pessoas nesse planeta. Porém, além de ter um preço acessível, os equipamentos precisam ser úteis e as pessoas precisam saber tirar proveito deles para melhorar suas vidas. E é isso que estou querendo aprender e compartilhar com minhas experiências.

A propósito, mesmo depois de 7 dias em modo exclusivo, continuo usando o Chromebook para inúmeras tarefas. Ele é leve, ágil, a bateria dura o suficiente para esquecer que é preciso recarregá-lo e realmente me permite fazer quase tudo que preciso. Curioso? Ouça a entrevista com o Otávio Sousa e fique atento às minhas próximas publicações. Dica: assine a lista de e-mails ou me acompanhe no Twitter para ser notificado.

Em resumo, continuarei falando sobre tecnologias e produtividade em geral, mas o que muitos ouvintes, leitores, seguidores e amigos têm enxergado como minha migração para o Android e serviços Google, é, na verdade, um plano muito maior. Estou apenas fazendo minha minúscula parte para melhorar o mundo e gostaria muito de poder contar com sua ajuda.

Não tenho respostas para tudo e seus comentários nas redes sociais e nos artigos do site com possíveis soluções para situações adversas que certamente surgirão pelo caminho, me ajudarão a encontrar alternativas e, principalmente, servirão para melhorar a vida de muitas outras pessoas.

O Chrome OS vai mesmo morrer?

A confusão começou no dia 29 de outubro (2015), com a publicação do artigo Alphabet’s Google to Fold Chrome Operating System Into Android no Wall Street Journal. Desde então, houve uma proliferação de textos e podcasts a esse respeito. Há alguns indícios que apontam para essa fusão ou para o fim do Chrome OS, mas, ao menos oficialmente, os objetivos são outros. O artigo Chrome OS is here to stay, publicado ontem (2/11/2015) pela empresa, deixa claro que o Chrome OS não será extinto. Qual a minha opinião a respeito de tudo isso? Acredito que, em algum momento, a mudança será inevitável.

O modelo que a Microsoft vem seguindo me parece o melhor de todos. O Surface atende aqueles que querem um tablet, mas que eventualmente precisam de algum aplicativo ou recurso que só existe para computadores. No outro extremo, o Surface Book é o computador para os que eventualmente querem usar um tablet. E entre os dois, temos os novos Lumia 950 ou o 950 XL que podem ser conectados a um monitor e teclado para criar uma experiência de desktop sem que o usuário perca a mobilidade.

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Enquanto isso, a Alphabet (antiga Google) tem unificado a experiência dos telefones e tablets a cada nova geração do Android. Hoje, no Android puro, a usabilidade é quase idêntica nos dois tipos de dispositivo. Já o Chrome OS é outro animal. Em extinção? Pode ser...

O Chromebook Pixel é uma máquina cara e poderosa, mas que roda o Chrome OS com suas limitações. Já o Pixel C é um belo tablet com jeitão de notebook, porém sem os recursos de computador que a linha Surface da Microsoft conseguiu trazer para o mundo dos portáteis modernos. Penso que o modelo ideal para a Alphabet seria uma combinação dos seus dois sistemas em equipamento parecido com o Asus Flip. O Chrome OS funcionaria com o teclado aberto e Android entraria em cena na configuração tablet.

Atualmente o Chrome OS já consegue rodar um seleto grupo de aplicativos Android. O Evernote é um deles. E me pareceu estar implícito no artigo de ontem que novos aplicativos virão. A diferença básica entre o telefone e o computador é que no Chromebook eles funcionam em janelas independentes e junto com o conjunto teclado e mouse, fica levemente mais fácil tirar proveito da multitarefa e executar trabalhos um pouco mais complexos. 

Independente da declaração oficial da empresa, acredito que o caminho da Alphabet será muito mais parecido com o da Microsoft, deixando a Apple ainda mais isolada na sua decisão de manter seus dois sistemas totalmente independentes. Em minha opinião a Apple está cometendo um erro enorme. Entendo que juntar a simplicidade dos sistemas operacionais móveis com o poder e a multitarefa completa dos computadores não é algo fácil, mas é o caminho a ser seguido para conquistar o mercado como um todo.

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E o que eu gostaria de ver na possível fusão Android e Chrome OS? Não muito... Basicamente um navegador Chrome de verdade e suas extensões funcionando bem no Android versão tablet ou híbrido estilo Lumia 950 ou o 950 XL e ao mesmo tempo um bom suporte para mouse e teclado em aplicativos rodando em janelas como acontece no Chrome OS. Será que é pedir demais? Acho que não!

E você, o que gostaria de ver numa eventual fusão?