Será o fim da hegemonia do iTunes como diretório universal para podcasts?

Ontem notei algo misterioso no podcast Diário de um elefante. O numero de plays do episódio 207 estava marcando o dobro do normal para o período e fiquei intrigado com isso.

Como o podcast é semanal, o gráfico normalmente mostra tendência de queda. Na quarta-feira do lançamento há um pico e a linha começa a descer nos próximos dois dias. Depois ela se mantém baixa e constante ao longo dos meses. Mas repare na imagem abaixo, a Dica 207 está completamente fora dessa curva.

O episódio foi lançado no dia 10 de agosto (2016), ocorreu o pico esperado e no dia 13 ele já havia chegado ao mínimo que normalmente é mantido desse ponto em diante. Mas algo diferente aconteceu. A curva virou e começou a subir novamente. Hoje, dia 16, véspera da publicação do próximo episódio, o 207 já teve mais plays do que no dia em que foi publicado. Isso nunca aconteceu antes.

Gráfico da Dica 207

Desde ontem comecei a investigar o fato e não encontrei nada diferente. A Apple não está referenciando o podcast no iTunes como eventualmente faz e não há nada nas estatísticas indicando que alguém está divulgando o episódio ou usando o player do SoundCloud em algum site.

Mas minha mente racional não me permite imaginar que isso seja apenas o acaso trabalhando. Tem que haver uma explicação! Se não é o iTunes, quem sabe é o Pocket Casts. Esse aplicativo, sobre o qual já falei algumas vezes, há tempos aparece nas estatísticas como o segundo mais usado para ouvir o Diário de um elefante. Só perdia para os serviços da Apple, mas no caso específico da Dica 207, ele é de longe o vencedor.

Os mais populares no Pocket Casts

Voltei minhas atenções para o App e parece que encontrei o responsável pela inversão na curva. Na tela de menu você encontrará o item Discover que é uma lista de podcasts mais ouvidos. Como um grande número de pessoas ouve meu podcast usando este App, faz sentido imaginar que estou ficando mais popular na lista deles. E, consequentemente, estar lá acaba atraindo mais ouvintes. É exatamente isso que parece estar acontecendo. Mas se esse for o caso, a lista deles tem que ser independente da lista do iTunes, onde não apareço entre os mais populares.

Dito e feito, a pesquisa para entender a investigação me levou a concluir que sim, as listas são independentes. Na base da tela Discover existe uma opção que nos permite mudar de país e, uma vez no Brasil, a relação é bem diferente da que existe no iTunes Brasil (vide passos abaixo). Muitos podcasts aparecem nas duas listas, mas em posições diferentes e no caso do Diário de um elefante a discrepância é maior. No Pocket Casts ocupo a posição 63, mas no iTunes nem apareço entre os mais populares do Brasil.

Pocket Casts / Discover / Popular

O Pocket Casts existe em várias plataformas, mas se eles estiverem mesmo usando uma lista independente, este é mais um sinal de grandes mudanças que o mercado vem sofrendo. Foi a Apple que um dia colocou ordem no caos que eram os podcasts quando eles começaram, mas há algum tempo surgiram serviços como o Stitcher, que não usam a lista do iTunes. O mesmo vale para o diretório de podcasts dentro do Google Play Music. Para aparecer nos dois, precisei cadastrar Diário de um elefante.

+ Podcast explicando o Pocket Casts
+ Como incluir o Pocket Casts na caixa de mídia do Aviate
+ Como resolver pequenos bugs no Pocket Casts depois do Android 6.0

O Pocket Casts vem crescendo muito, mas ainda não é um iTunes e o serviço de podcasts do Google ainda está limitado a poucos países, mas tudo indica que estamos, sim, chegando ao fim da hegemonia da Apple como provedora de um diretório universal para podcasts.

O lado positivo é que desaparece um ente centralizador, a Apple. Mas isso traz junto um problema para quem grava os podcasts. Antes bastava cadastrar o show no iTunes e os demais serviços capturavam as informações necessárias de lá. Agora é preciso gastar tempo tentando entender os procedimentos de inclusão em outros serviços como o Google, Stitcher etc.

Enfim, junto com a estratégia do iPad Pro que considero equivocada e outros pequenos problemas de percurso, é só mais um dos elementos de um grupo de acontecimentos que me fazem acreditar que a Apple precisa repensar seu caminho agora para sobreviver no futuro distante com a mesma força que tem hoje.

Guarde suas músicas no Google Music... sem precisar pagar por isso!

Um amigo já havia me falado sobre esse serviço, mas só ontem parei para experimentar. Assim como diversas outras empresas, o Google também conta com um serviço de música por assinatura, mas há uma pequena diferença em relação aos concorrentes. Você pode armazenar até 50.000 músicas suas sem nenhum custo. Os passos são sos seguintes:

  1. Vá até seu computador e visite http://music.google.com.
  2. Inclua o número do seu cartão de crédito para desbloquear o serviço. Você também pode usar a mesma conta da Play caso já tenha um cartão cadastrado lá. Fique atento para as opções indicadas em tela. Você quer apenas ativar o serviço e não assinar o Google Music.
  3. Expanda o menu no lado esquerdo da tela e vá até a opção para upload de música. Está entre os últimos itens na base da lista.
  4. Siga os passos escolhendo sua biblioteca do iTunes ou alguma pasta no seu computador. Se desejar, marque a opção para que o Google Music fique monitorando aquela pasta para realizar uploads automáticos de novas músicas no futuro.

Evidentemente o tempo de upload vai depender da quantidade de músicas que você tem e da velocidade da sua conexão, mas depois de concluído o processo, você poderá ouvir online a partir do computador, transmitir para o Chromecast ou usar o App no seu Android e iPhone. E no caso do telefone e tablet, você pode inclusive escolher músicas ou álbuns para baixar e manter no aparelho para ouvir quando não houver conexão.

Imediatamente pensei no meu Chromebook que tem um espaço muito pequeno para armazenamento, mas o mesmo vale para o MacBook Air ou outro computador com poucos gigabytes. No meu caso, a biblioteca estava em um HD externo e agora não preciso mais disso. Basta abrir o navegador e começar a ouvir minhas músicas. E também está resolvido o problema do backup porque o Google Music permite baixar todas as nossas músicas a qualquer momento.

Mas como acontece com diversos serviços Google, há algumas inconsistências. Por exemplo, não consigo entender porque via navegador web consigo ver uma opção que me permite assinar e ouvir podcasts, mas essa alternativa não aparece no telefone. E isso só acontece em uma das minhas contas do Google. Nas demais, o item podcast não aparece em parte alguma. Como o serviço ainda não está disponível em todos os países, pode ser essa a razão da inconsistência.

Mas seja como for, junto com o Google Photos, essa é uma iniciativa que bate de frente com serviços similares da Apple. Especialmente porque, como acontece com as fotos, não há custo de armazenamento. E, diferente do que costuma acontecer com serviços Apple, o Google Music funciona em diversos dispositivos e sistemas. Em outras palavras, você não depende de um computador ou telefone específico para acessar o conteúdo.

+ Do Apple Photos para o Google Photos
+ Entenda o Google Photos
+ Gostei do compartilhamento no Google Photos

O que está esperando? Faça um teste. Não vai te custar nada. Literalmente :-)

Como incluir o Pocket Casts na caixa de mídia do Aviate

No VCP 175, reclamei do fato de não conseguir usar o App Pocket Casts a partir da caixa de mídia do Aviate. Tentando solucionar o caso, escrevi para o Yahoo, para o pessoal da Shifty Jelly e até abri um pedido de inclusão de recurso no fórum do Aviate. No final, quem matou a charada, foi o ouvinte Andre Mazzucco.

Não mantenho um espaço dedicado a música no meu Aviate. Áudio, vídeo e aplicativos similares estão no grupo "Entretenimento". Porém, com o objetivo de reproduzir a dica do André, criei o grupo. Infelizmente não funcionou.

Notei, entretanto, que a caixa de mídia do Aviate comporta apenas cinco ícones, exatamente os cinco primeiros do meu recém-criado grupo "MUSIC". O Pocket Casts era o sexto e resolvi tentar algo. Movi ele para primeira posição e funcionou! Perceba abaixo (caixa da direita), que o último App, "FM Radio", não aparece no Aviate (esquerda). O Pocket Casts estava exatamente naquela posição.

Como prefiro não ter um espaço específico para Apps relacionados a áudio, resolvi fazer um teste. Removi o grupo "MUSIC" e notei que o Pocket Casts permaneceu no cartão de mídia do Aviate. Ou seja, mesmo que você também não queria um grupo específico, crie o "MUSIC", abra o Pocket Casts para que ele seja incluído no cartão e depois exclua o grupo.

Mesmo resolvido o problema, decidi não excluir minha solicitação do fórum do Aviate porque não há nos manuais oficiais do App nenhuma explicação sobre a lógica de inclusão de ícones neste cartão. Apenas informam que ao conectar o fone, o cartão abrirá com os aplicativos relacionados.