Lembre-se, não precisamos de aplicativos para tudo!

Entrei, pedi uma mesa para dois, a pessoa na recepção olhou para baixo, identificou os espaços disponíveis, me questionou sobre algumas preferências e fomos encaminhados para sentar.

Demorou literalmente alguns segundos e toda tecnologia utilizada foi um pedaço de papel, caneta e um monte de Post-Its rasgados (vide foto abaixo).

Imagino que algumas pessoas mais empolgadas já devem ter olhado para aquela folha A4 pensando numa tela de iPad com a planta baixa do restaurante e um elaborado sistema de reservas e alocação de mesas.

Confesso que quando os palmtops começaram a se popularizar, ideias como esta eram costumeiramente oferecidas para os restaurantes. Aparentemente nossa mente apaixonada daquele época acreditava que tudo que existia no mundo precisava ser portado para um dispositivo que cabia na palma da mão.

Não me entenda mal, acredito que a tecnologia aumenta e muito a eficiência e traz outros benefícios consigo, mas não podemos cair na armadilha de acreditar que ela, por si só, resolverá tudo. O que importa é a utilidade, a solução de um problema. E, além disso, é preciso lembrar que caneta, papel e Post-It são sim tecnologias.

Enfim, enquanto almoçava, fiquei pensando na simplicidade e funcionalidade do sistema e, ao mesmo tempo, pensando se realmente não seria interessante digitalizar aquilo para coletar dados estatísticos e melhor o atendimento, aumentar a produtividade etc.

Não tenho experiência nenhuma com administração de restaurantes, mas tudo que consegui imaginar podia ser extraído de algo que está em uso em praticamente qualquer estabelecimento: o sistema de pagamento da conta.

Com ele podemos saber qual a média de gasto por mesa em um dado período; quanto tempo as pessoas ficam no restaurante; que pratos são mais consumidos em determinados dias da semana, épocas do ano etc.

Resumindo, não consegui pensar em nada que um iPad na recepção pudesse acrescentar em termos de utilidade ou ganho. Economia de papel? Improvável que se justifique em termos de custo x benefício. No final, só consegui encontrar a seguinte função: trazer beleza e sofisticação.

É claro que preciso considerar que este restaurante é pequeno e por isso as coisas funcionam bem dessa forma. E no final é justamente este o meu ponto. Adote um aplicativo ou a tecnologia mais avançada quando for realmente necessário.

Devemos ter sempre a humildade de reconhecer que um conjunto de ferramentas cotidianas e tão comuns e baratas podem também criar algo poderoso e eficiente sem a necessidade de uma interface multi-touch ou mesmo energia elétrica.

 
 

305 Walnut Street (a sede da Evernote).

Terceira vez em São Francisco, mas nunca estive na cidade como turista. As viagens foram sempre a trabalho para participar da Evernote Conference.

E por incrível que pareça, nunca houve uma conjunção de fatores que me permitissem visitar a sede da empresa em Redwood. Mas dessa vez o universo conspirou a meu favor.

Cheguei por volta das 11:30h e depois de um tour, fui convidado para o almoço do dia (mexicano). Já havia assistido diversos vídeos oficiais mostrando a empresa, mas nada como perambular pelos corredores onde tudo acontece.

Não é permitido filmar ou fotografar quase nada. O jeito é tentar descrever. Para chegar a Redwood, peguei a Caltrain, o mesmo que me levou a sede da Apple em outra ocasião. A cidade é pequena e é possível andar até a rua Walnut. Foi o que eu fiz!

Seguindo as coordenadas do Google Maps, já vi de longe a placa com o elefante no topo do prédio. Fiquei emocionado, é claro. E lembrei do episódio do antigo podcast oficial da Evernote no qual o Phil Libin descreve a chegada da placa.

Abri a porta e lá estava a famosa recepção com o popular painel que aparece em tantas fotos. Nestas horas é fácil perceber que no fundo somos todos sentimentais.

Na outra extremidade uma pequena loja com produtos do Market. Há também um café servido por funcionários que optaram por fazer o curso de barista pago pela empresa. Café e Evernote, é a combinação perfeita, logo pensei. 

Todos, inclusive Phill Libin, trabalham em um dos diversos ambiente sem divisórias. Existem salas para reuniões espalhadas pelo prédio e as únicas paredes que estão lá para dividir os grandes vãos, foram pitadas com uma tinta branca especial. Todos podem escrever e discutir ideias rabiscando aqueles imensos painéis. Porém, alguns preferem desenhar.

+ Evernote Conference 2014

Um detalhe curioso a respeito das salas de reunião é que não há agenda para marcar horários. Basta encontrar uma sala vazia e usar. Pensei nas vezes em que tentei usar salas em empresas brasileiras e a confusão que algumas pessoas fazem. Reservam a sala não usam. Não sei se o sistema da Evernote é eficiente, mas achei interessante lidarem com a situação de uma forma diferente.

Andar por aqueles corredores me fez pensar em muitas coisas. Minha descoberta e paixão a primeira vista pelo aplicativo em 2008. O formulário que preenchi no site para ser um embaixador, mesmo sabendo que o programa era apenas para residentes nos EUA. As várias entrevistas que fiz para me tornar um embaixador. As participações nas conferências e tudo que veio depois. Foi, definitivamente, um dia especial.

Depois do tour e do almoço, peguei o trem de volta para São Francisco com uma certeza: a lembrança desse dia e da minha participação na Conferência de 2014 permanecerá comigo por muito tempo.