Um passarinho me contou

É evidente que ninguém consegue ser 100% imparcial ao falar de si mesmo, mas adoro autobiografias. Provavelmente porque o estilo pessoal da narrativa nos deixa com uma sensação de estarmos sentados ao lado do autor, enquanto ele conta a história da sua vida.

E foi exatamente o que senti, mais uma vez, enquanto lia o Stories a little bird told me (Um passarinho me contou), no qual Biz Stone, co-fundador do Twitter, relata suas aventuras pessoais mescladas aos eventos que levaram à "invenção" do Twitter.

Às vezes não nos damos conta, mas essas empresas ponto-com são todas muito novas e algumas delas, surgiram por acaso. O Twitter é um bom exemplo. Seus fundadores estavam, em realidade, envolvidos com um projeto bem diferente. O objetivo inicial era o áudio e os planos foram radicalmente mudados quando a Apple lançou o serviço de podcasts dentro do iTunes.

Essa história e outras, como os acordos com as operadoras de telefonia celular para conectar o serviço ao SMS; o aparecimento espontâneo das hashtags para indicar um assunto; da arroba para mencionar outras pessoas; a oferta de aquisição feita por Mark Zuckerberg; os movimentos organizados via Twitter para derrubar governo ao redor do mundo etc. fazem parte da narrativa.

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Além do fator curiosidades, o livro também ajuda a compreender porque o Twitter é o que é hoje e as razões pelas quais cometeram alguns erros ao longo da história do serviço. Se você gosta do serviço tanto quanto eu, recomendo o livro.

Internet Submarina

O assunto chama minha atenção há bastante tempo e, por isso, não pensei duas vezes depois de ouvir a entrevista da professora Nicole Starosielski no Scifri. Comprei o livro e o devorei em poucas semanas.

Em realidade, não pude comprar imediatamente porque ele não estava disponível em formato eletrônico. Procurei o e-mail dela, escrevi perguntando se planejava lançar o The Undersea Network em versão Kindle e ela prontamente respondeu que sim.

Nicole é professora assistente da Universidade de Nova York e viajou o mundo para visitar instalações e entrevistar pessoas diretamente ligadas ao negócio de cabos submarinos. A narrativa, aliás, segue basicamente o caminho que os cabos fazem. Começa nas estações de transmissão e a medida que vai seguindo o percurso submarino, descreve a produção, instalação, dificuldades, parceiras, questões militares, reaproveitamento etc.

Importante informar que o texto tem um perfil pouco dinâmico e, em realidade, chega a ser bastante acadêmico em algumas passagens, mas não deixa de ser interessante. Enquanto lia, fui em busca de outras informações online e encontrei um vídeo (em Inglês) a respeito do primeiro cabo de telégrafo ligando os EUA ao Reino Unido.

O documentário gira em torno de Cyrus West Field, o responsável pela façanha de conectar os dois continentes. E no livro, é claro, há uma passagem dedicada a esse primeiro cabo transatlântico. Mas, o que achei mais interessante nessa parte, foi descobrir que Cyrus Field conheceu o autor Jules Verne e, de certa forma, o  ajudou tecnicamente no projeto do livro Vinte Mil Léguas Submarinas. Não é incrível isso?

Prior to writing 20,000 Leagues under the Sea, Jules Verne crossed the Atlantic on the Great Eastern steamship, interviewed crew members who had helped lay the transatlantic cable, and met Cyrus Field
— Nicole Starosielski

Enfim, se quiser saber um pouco mais sobre os inúmeros cabos submarinos que nos conectam a diversas partes do mundo, recomendo o livro The Undersea Network.

É possível salvar o Yahoo?

Não sei se ja aconteceu com você, mas há algumas empresas que me conquistaram profundamente por sua história, trajetória e influência no meu dia-a-dia. Palm e Yahoo são dois exemplos muito fortes.

A Palm me ajudou demais no processo de organização e foi a fonte de inspiração para minha primeira aventura online em 1999, um portal a respeito da plataforma. E essa aventura, por sua vez, de certa forma, foi inspirada por aquele dia em que "vi a Internet" personificada em um software chamado Mosaic. Lembro-me que o ícone do Yahoo estava na barra do navegador e foi só clicar para ter acesso ao mundo!

Acompanhei as duas empresa de perto, seguindo cada inovação e experimentando todos os serviços que lançavam. Os que conheceram a Internet já na era do Facebook, Google e da computação em nuvem, não devem saber que o Yahoo foi pioneiro em inúmeros serviços online tão populares nos dias de hoje.

Além do buscador, havia e-mail, uma agenda de endereços, calendário, bloco de notas, sistema de mensagens instantâneas, hospedagem de sites, vendas online e até mesmo algo surpreendentemente inovador chamado de Drive Y, uma pasta no seu computador que era sincronizada com a nuvem para armazenamento e intercâmbio de documentos. Ou seja, de certa forma, Dropbox, iCloud, Google Drive, SkyDrive etc. são filhos do Yahoo.

Muitas vezes nos esquecemos, mas empresas não são ilhas e sofrem constantemente a ação da concorrência e têm os rumos alterados de acordo com a reação de seus funcionários e dirigentes. O livro Marissa Mayer And The Fight To Save Yahoo me fez viajar no tempo. Revivi inúmeros momentos e, ao mesmo tempo, descobri porque decisões, que na época não conseguia compreender, foram tomadas.

O título do livro sugere que o texto gira em torno da CEO Marissa Mayer, mas há muito mais conteúdo. O autor descreve em detalhes a história do Yahoo, desde sua criação até os dias de hoje. É uma base de conhecimento importante mesmo para os que, como eu, viveram essa época. Há detalhes muito interessantes que desconhecia. E se você faz parte da geração Google, melhor ainda, compreenderá a importância do Yahoo para a popularização da web. Aliás, o ritmo da narrativa parece muito com o do Piloting Palm. Ambos mostram os bastidores e as dificuldades vividas por essas incríveis empresas.

Marissa fez carreira em uma empresa de sucesso, a Google, e tem grande admiração pela Apple, que provou para o mundo que é possível reinventar empresas a beira da falência. O livro chega até 2014, mas, como sabemos, a história do Yahoo ainda não acabou. Espero, sinceramente, que a Marissa não deixe o Yahoo seguir a triste trajetória da Palm.

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