Atualização no projeto Timeline System para Papel (e por que passei a usar lápis)
Isso de anotar em papel é algo muito distante do meu normal. Portanto, coisas simples, como qual a melhor caneta, acabam sendo um pouco mais complicadas para mim.
Enfim, na minha tentativa de portar o Timeline System para o papel, comecei a procurar uma caneta mais confortável e acabei caindo num episódio do podcast The Rest Is Science, que me fez repensar o próprio uso da caneta.
Passei quase meia hora ouvindo o Michael Stevens falando sobre lapiseiras e a razão pela qual ele migrou da caneta para o lápis. E à medida que ele ia falando, eu ia pensando: — Não é que isso faz sentido?
O que aconteceu foi que um caderno dele molhou, borrando todo o texto de várias páginas e tudo ficou completamente ilegível. Segundo ele, se estivesse escrito a lápis, isso não teria acontecido. Além de não borrar, dependendo do tipo de grafite, a escrita teria arranhado o papel, deixando uma marca quase que permanente.
Terminei de assistir e fiz um teste com uma lapiseira, mas diferente dele, que escreve com 0.3 e até 0.2 mm 😮, optei por algo menos radical: 0.7 mm.
Com o dilema da caneta resolvido, falemos sobre como o Timeline System para Papel funciona, o que mudei e o que acrescentei ao projeto. Mas fica o alerta: este é um projeto em andamento e as coisas certamente vão continuar mudando. A propósito, daqui por diante, vou usar a sigla TLSp para me referir ao Timeline System para Papel.
Proativo vs. Reativo
Um sistema como este não vai funcionar para quem precisa ser constantemente lembrado do que tem que fazer. A minha abordagem em relação a tarefas — que, diga-se de passagem, prefiro chamar de atividades — é algo mais consciente. Ou seja, administrado com atenção e intenção.
Como a maior parte de nós, preciso, sim, de uma espécie de registro para acompanhar o que ainda falta fazer, mas nunca dependo de notificações ou alarmes dizendo o que e quando fazer.
Estou frequentemente de olho no dia e na semana seguinte no meu calendário. Mas não é algo compulsivo. É natural, já que o calendário está constantemente aberto no computador e há também um widget na tela do telefone.
Na hora de colocar a mão na massa, passo os olhos em todo o meu trabalho em andamento para finalmente decidir — com base nas circunstâncias, prazos, etc. — o que faz mais sentido fazer naquele momento.
Por ora, guarde essa informação. Voltarei a ela em breve.
Timeline
Como eu disse no primeiro post, não há separação de tópicos por diferentes páginas, seções ou algo do tipo. Tudo é feito em ordem cronológica. Apenas escrevo a data de hoje e começo a anotar. Basicamente, o caderno inteiro é a Timeline.
Ainda em relação ao post anterior, acabei decidindo que adicionaria o horário de cada nova entrada para ter uma noção do momento em que escrevi aquilo. E por causa do calor absurdo que está fazendo na Europa nestes últimos dias, decidi incluir também a temperatura como uma forma de registro para o futuro.
A imagem abaixo mostra uma versão compacta do que estou fazendo. Portanto, pense nas linhas na barra lateral bem mais afastadas umas das outras; inclusive, muitas vezes elas estão em páginas diferentes.

O funcionamento é o seguinte: uma linha horizontal mais grossa indica que é um novo dia. É verdade que a data já está lá separando as coisas, mas a linha é muito mais fácil de perceber quando estou folheando à procura de algo. Ao longo do dia, uso uma linha mais fina entre cada nova nota. E abaixo dela, adiciono a hora e os símbolos que mencionei no meu último post.
Mas vamos a uma lista atualizada:
Status
- 🔳 - Action
- 📄 - Static
Type
- J - Faço inúmeras anotações por dia, mas não considero que seja um diário propriamente dito. São basicamente pensamentos e ideias.
- M - Projetos Maker. Pode ser uma nota, um esboço ou até medidas para guardar como referência para futuros projetos.
- b - Ideia para um post no blog.
- YP ou YE - Ideia para um vídeo no YouTube em Português (YP) ou em Inglês (YE).
- W - Qualquer coisa relacionada a desenvolvimento web, como alterações que eu gostaria de fazer no meu site. A propósito, tenho feito várias anotações sobre este tema por conta da migração do meu site para uma nova plataforma.
Seta
- ↑ - A seta apontando para cima está ali apenas como um indicativo de que aquele pensamento começou na página anterior. Mais uma vez, é algo que serve para me ajudar a localizar rapidamente aquela informação quando estou folheando as páginas.
Meu Obsidian
O projeto é parcialmente inspirado nas propriedades que uso no meu Obsidian, mas, em lugar de palavras, decidi simplificar com os símbolos ou letras listados acima. A ideia é sempre combinar um símbolo de Status com um de Type (tipo de anotação).
O que não resolvi ainda é qual deles vem primeiro. Minha esperança — desejo? — é que o padrão surgirá naturalmente à medida que for utilizando o sistema. Por enquanto, o que fica no topo é o que vier primeiro à minha mente.
Não sei dizer por que “blog” é o único na lista em letra minúscula. Foi algo que aconteceu naturalmente desde a primeira anotação sobre o assunto. Por alguma razão, meu cérebro acha que a minúscula é a melhor representação e assim será. Afinal, quem sou eu para debater algo com meu próprio cérebro.
Brincadeiras à parte, seja qual for a razão, o que penso é que, em se tratando de sistemas para uso pessoal, devemos sempre adotar os símbolos e procedimentos que fazem sentido para nós. Estabelecer uma regra de que todos os ícones Type devem ser letras maiúsculas apenas criaria complicações desnecessárias.
Marcadores
Como não existe nenhum tipo de separação em grupos ou cadernos diferentes, são os símbolos que fazem o trabalho de categorizar a informação, me ajudando a encontrar algo quando volto algumas páginas no tempo.
Foi essa característica do sistema que criou um problema que resolvi com duas linhas de tricô ou crochê. Confesso que não sei bem a diferença. Precisava de dois marcadores com cores diferentes e lembrei que minha mãe tinha deixado uns materiais numa gaveta aqui em casa.
Quando utilizo o símbolo “caixa de tarefa” — Action —, significa que preciso fazer algo em relação àquela anotação. E é aqui que retornaremos ao tema “Proativo vs. Reativo” que mencionei no início do texto. Não me importo de voltar algumas páginas para verificar se há algo que ainda não fiz, mas folhear as páginas até o começo do caderno todas as vezes não faz sentido.

A linha vermelha passou a marcar a última página contendo uma atividade — caixa Action — ainda não concluída. Além do acesso rápido ao que ainda tenho para fazer, há também uma outra vantagem. A distância entre o marcador vermelho e a próxima página em branco cria uma percepção de tempo baseada na quantidade de páginas. Ou seja, quanto mais grosso for o bloco de páginas, mais terei vontade de resolver o que quer que seja que está tão longe do dia de hoje. Ao menos isso é o que imagino que acontecerá.
Quanto à outra linha, o objetivo é apenas simplificar meu acesso à próxima página em branco quando abro o caderno para fazer alguma anotação. Ou seja, um marcador tradicional.
Hipertextos
Mais uma vez, o fato de não haver seções ou qualquer tipo de separação de tópicos cria alguns problemas. Os ícones estabelecem uma espécie de coleção, agrupando simbólicamente escritos de diversas páginas. Mas e quando um assunto está diretamente ligado a outro?
Decidi resolver isso criando “links” com números dentro de parênteses. Se houver apenas um número (p), significa que se trata de uma página no mesmo caderno. Dois números (c,p) indicam o número do caderno e, depois, a página.
Quando comecei esse projeto, queria tudo o mais simples possível e não numerei as páginas. Mas, quando comecei a usar esse artifício para os hipertextos, percebi que teria que passar a numerar. Paciência.
Quanto ao indicador de hipertexto, ele pode estar nas barras laterais ou ao lado da palavra ou frase no próprio texto. Decido isso de acordo com cada situação. Se a frase ou palavra estiver relacionada à nota antiga, coloco o número no próprio texto. Se a nota inteira estiver relacionada à anterior, o número fica na barra lateral.
Seções
Você provavelmente já me ouviu dizer dezenas de vezes que somos escravos do tempo. Ou seja, o tempo passará sempre e o racional a fazer é construir toda a nossa vida em torno desse fato.
Não é a primeira vez que tento montar um sistema em papel, mas desta vez resolvi usar o mesmo choque de realidade do tempo passando. Se não posso editar nada no papel — ou seja, mover coisas, criar espaços, etc. —, por que lutar contra isso criando elaborados sistemas de controle e complicações?
É por isso que todas as anotações estão num mesmo caderno seguindo uma mesma ordenação: o tempo. São os símbolos que me ajudam a visualizar o que é o quê.
Ou seja, não tenho que me preocupar com a separação de um número específico de folhas para isso ou para aquilo, índices ou nada disso. Está tudo no mesmo lugar, com ícones que me ajudam a perceber rapidamente que tipo de anotação é aquela e se há algo que preciso fazer.
Enfim, por ora é isso. Se você decidir experimentar o TLSp, adoraria saber o que você tem feito aí do seu lado. E, como eu disse no começo, é um projeto em andamento; certamente coisas mudarão e continuarei publicando novos textos sobre a evolução do sistema.